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"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens." (Fernando Pessoa, em "O Eu Profundo")
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Mensagem

Chuva Oblíqua

De Fernando em 11/07/2003 11:55:07 a partir de 200.207.55.229-200.207.55.229
Minha síntese
Minhas pessoas são vários Pessoas como Pessoa foi varias pessoas.
São rios, São matas nativas verdejantes de exuberância vegetativa a cobrir esse solo que é tudo, são onças pintadas, onça preta suçuarana, são bárbaros meus irmãos ancestrais, minha raça, são deuses moleques, são espíritos apartados.
E eu sou o fogo que devora essa mata.
E eu sou a água que transborda desse leito onde navego e naufrago, sou o crente e o sacerdote e o altar e o fogo e a imagem onde esse deus se esquece, sou um caco da síntese do tudo, sou uma das manifestações do todo, sou eu mesmo: que remédio.
E meus olhos, num torpor aeróbico, olham para o nada e meus neurônios vêem uma montanha cheia de vales cheio de dobras, cheias de lóbulos faiscantes como uma tempestade dessa noite escura toda iluminada,
E as vertentes agora são sinapses a drenar recordações arqueológicas desse cérebro faiscante, e o que outrora foi um beijo agora é trovão nessa caixa torácica retumbante, caixa de ressonância desse instrumento na mão dos deuses.
E idéias liquidas, vermelhas de emoções, transportam oxigênio para esses músculos que querem guerrear, para essa mão que tem sede da tua pele, para esses olhos que projeta corres nas flores e gosto nos frutos e calor nas coisas.
Sou o meu universo, sou o deus temporal que nem tudo cria e nem tudo destrói, infinito nas possibilidades: neocortex.
Sou eu mesmo: Eu; reles; porco; vil;
tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado publicamente os pés nos tapetes das etiquetas,
que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso, arrogante,
que tenho sofrido enxovalhos e calado,
que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo....
...

Em resposta a:

Chuva Oblíqua (Silvia M - 10/07/2003 21:49:33)
...(ver)

Respostas:

Chuva Oblíqua (Silvia M - 11/07/2003 20:10:04)
Voltou? saiba que sua participação é muito importante ! eu imaginei que a preferência agora era o coral PÉ NA COVA e nosso Fórum ficaria em último plano. Chuva Obliqua já acabou.? Gostei da mistura do Poema em Linha Reta com o Poema em Linha Obliqua de Fernando em pessoa.Para comemorar a sua volta,...(ver)

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