Alguem sabe alguma coisa sobre A ALIENAÇÃO NO LAZER? Preciso urgenteeeeeeeeeeeeeeee!

Tags: a lazer no alienacao
09/03/2009 14:25
De: Bianca
IP: 200.103.113.28

Alienação

O capitalismo é antes de tudo um sistema de expropriação de tempo de vida. Submetido à forma do trabalho abstrato, quantitativo e sem qualidades (o tempo da medida do valor), o tempo de vida tornou-se ele todo, progressivamente, também um tempo abstrato. O lazer é uma forma histórica do uso do tempo de não-trabalho, o "tempo livre" próprio do capitalismo contemporâneo: é o "tempo livre" da vida abstraída de qualidades. Assim, a crítica do lazer é, enquanto exercício teórico, parte da crítica da economia política.
Esta última não é pensada aqui como "ciência econômica" particular, mas como crítica de uma forma histórica de relações sociais na qual as relações econômicas, enquanto relações entre portadores de mercadorias, tendo-se autonomizado frente aos homens e se constituído numa "esfera" à parte, conseguiu impor seu domínio sobre todas as outras formas da experiência social. Esse domínio converte-se, em alguns casos, em integração e extensão; assim, formas de experiências e relações sociais, tradicionalmente (mesmo tendo em vista os primórdios da economia moderna) exteriores à atividade econômica, tornaram-se parte desta atividade, isto é, passou a se constituir como produção mercantil. O lazer é uma forma de experiência social à qual se estende a economia, é uma forma de atividade econômica.
No período humanista do pensamento burguês, e em uma época em que as relações burguesas apenas estavam tomando forma, Kant distinguiu o agradável e o prazer. Segundo ele, o primeiro é o que apraz os sentidos na sensação; isto é, um aprazimento unilateral e superficial, tal como um doce ou um bom clima. Já o prazer é o que apraz a partir do "livre jogo" entre a imaginação e as "faculdades superiores de conhecimento" – a "razão" (consciência moral) e o "entendimento" (consciência intelectual). Apesar da forma sem dúvida idealista sob a qual a coisa é apresentada, podemos reter daqui algo fundamental: a diferença entre o aprazimento limitado e unilateral e aquele que mobiliza em nós diversas de nossas faculdades e potencialidades, aquele no qual nós tendemos à totalidade de nosso ser, ou seja, que diverte. O lazer pode ser agradável, mas não é prazeroso, não é divertido.
A diversão supõe o jogo, a livre determinação, isto é, o lúdico, a brincadeira: o exercício múltiplo das potencialidades, a comunicação entre essas potencialidades, a experiência da própria diversidade e também da diversidade na relação com o outro. Em outras palavras, supõe a comunicação. O lazer é o agradável: é a experiência unilateral com os sentidos, enquanto prazer imediato que não diverte, isto é, não comunica a sensibilidade com outras faculdades e não dialoga com a diversão alheia; não é a extensão da sensibilidade às suas múltiplas formas (fantasia, imaginação, premonição...), mas a sua unilateralização na sensação.
O lazer não é cultura. A cultura pressupõe continuidade e experiência em comum. Pressupõe memória e atividade. A cultura é inseparável da festa, da comemoração, e portanto diverte. O lazer também não é festa, pois esta implica cultura e diversão. No capitalismo contemporâneo, o lazer substituiu a festa, a religião, a arte e todas as formas de "purificação" e catarse nas quais, nas sociedades comunitárias pré-modernas, o indivíduo reestabelecia o encontro com sua comunidade, com seu modo de vida, seus valores, sua memória e seus interesses comuns; eram o espaço real da comunicação. O lazer não "purifica".
O lazer é, antes de uma experiência com coisas no tempo, uma relação com o tempo.
17/09/2013 11:29
De: Aline da Silva
IP: 189.81.92.237

Re: Alienação do lazer

Lazer alienado
O processo de alienação na sociedade industrial afeta também a utilização do tempo livre destinado ao lazer.
A indústria cultural e de diversão vende peças de teatro, filmes, livros, shows, jornais e revistas como qualquer outra mercadoria. E o consumidor alienado compra seu lazer da mesma maneira como compra seu sabonete. Consome os “filmes da moda” e frequenta os “lugares badalados” sem um envolvimento autêntico com o que faz.
Agindo desse modo, muitos se esforçam e fingem que estão se divertindo, pensam que estão se divertindo, querem acreditar que estão se divertindo. Na verdade, “através da máscara da alegria se esconde uma crescente incapacidade para o verdadeiro prazer”.
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