Destina-se aos amigos da Povoa

Tags: nova vila povoa lamego souto del rei
13/04/2006 16:25
De: teste
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Teste

*Infantilidades (por Zé Macário)
*
Eu arda! Eu arda, se não é verdade aquilo que vou contar-vos:
- Lembro-me ainda – muito mal – da Ti Gracinda Matilde, ou Ti Metildes
como se dizia; e isto para dizer que me lembro bem do rapazola namorador que era o Luís seu filho.
Ora o Luís era um rapaz bem-falante que me abismava por saber dizer "*/
persuadido/*".
Era, enquanto rapaz – muitos anos antes do Ti Zé dos terços – o indivíduo que conduzia a reza do terço com a respectiva ladainha em latim todos os dias e ajudava à missa de quinze em quinze.
Se era bem-falante e sabia dizer "*/persuadido/*", era também bem parecido e tinha sobre a testa uma avançada e cobiçada marrafa de cabelo.
Viera a casar com a filha de uma senhora que nunca colocara algo em qualquer sítio, porque tudo "* /prantava/*" em todos os sítios, mas isso é outra conversa.
Retenho-me agora só no Luís, na sua admirável reza e na marrafa, que eu, quando assistia ao terço comparava com a de um serafim que segurava, esforçado uma coluna do lado esquerdo do altar mor.
Da ladainha, eu não percebia nada e o meu tempo durante aquela reza era passado na contemplação doída daquele pobre serafim, vergado, - já mesmo deitado – pelo peso daquela coluna, que me metia mais dó por tanto o comparar fisionomicamente ao Luís, quer pela marrafa quer mesmo pelas maçãs do rosto.
Quanto ao termo "*/persuadido/*", devo dizer que muito me ajudou quando eu – precoce criança – o forçava a coincidir num qualquer fraseado, realçando assim o meu vocabulário, exibindo-me perante as moçoilas em idade escolar.
Outros termos me terão dado grande estatura linguística, como por exemplo, o */ realmente/*, do Zé da Celeste; porém o " */persuadido" /*é
que verdadeiramente me catapultava aos píncaros lunares.
Ainda muito criança, se via o dono do "*/persuadido/*", numa conversa com alguém, ali me juntava eu como gato que esperasse a queda de uma espinha da mesa do dono, aguardando ver sair um " */persuadidozinho/*", daquela boca, que logo juntava ao meu léxico.
E já espigadote, quando saía para o engate, ia muito mais tranquilo –
como se levasse um belo adorno qual general carregado de medalhas –
porque munido do meu colar de " */persuadidos/*".
Poderá parecer absurda ou ridícula esta pequena estória , porém, estou "*/ persuadido/*" que o absurdo não existe e o ridículo faz parte do
nosso processo de aprendizagem.
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