De: Nelson F Vieira
IP: 201.7.44.1
Assunto: Re: Me mande o resumo do livro do livro o alienista
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Resumo da Obra A obra descreve a trajetória de Simão Bacamarte, um ilustre doutor, formado por renomadas Universidades européias do século XVIII, que apesar dos convites do próprio Rei, João V de lecionar em Portugal, retorna para Itaguai. Casa-se com D. Evarista, mulher pouco fina e menos ainda dotada da beleza, por ser ela mulher saudável, com bons hábitos e maneiras, pressuposta capaz de legar bons descendentes. Quando sua esposa se mostra estéril, Bacamarte decide afogar-se na Ciência, que curaria-lhe, inclusive, o male de não ser pai. Então que decide construir a Casa Verde, onde internaria os mentecaptos, para estudar os diversos tipos de loucura. Nesta trajetória, conhece o padre da vila, o boticário, e interna importantes e respeitáveis personagens da cidade. Em ocasião, envia uma petição à Câmara, reivindicando direito de construir a tal casa de saúde e de lá internar os doidos. Por costume da cidade, os loucos eram trancafiados em suas próprias casas, até que o destino os levasse para cova. A proposta não foi aceita em primeira instância, sendo a idéia de internar pessoas com a sanidade pevertida, em uma mesma casa, vista como absurda. O medo subtendido de o projeto onerar a vereança também causava receio aos vereadores. Mas quando o alienista arca com os gastos da construção do hospício e as famílias, assim fica acertado, pagariam as despezas do inquilino, a situação se atranquila. Em discurso à Câmara, Bacamarte foi bastante enfático e persuasivo, ressaltando a importância da Casa Verde e o prestígio que esta traria ao pequeno vilarejo. Com seus estudos sobre a loucura, e sua minuciosa classificação de seus diversos tipos, o nome da cidade seria alçado aos anais da Ciência, alcançando renome pelo globo. O romance/conto estrutura-se aí, permitindo que diversos outros pequenos acontecimentos se insiram no contexto global - que é a loucura. Ao estudar as suas causas e curas , seus limites com a sensatez, as formas como se manifestam enfim, suas diretrizes mais amplas; Machado se permite incutir o olhar ao espírito humano, seus segredos e engrenagens controversas. Isto se manifesta durante todo o livro, quando os personagens, sempre caricatos e bem contextualizados, como somente Machado o faz. É explícita uma crítica ao cientificismo, ao caráter transitório e fugaz da consciência humana, os limites da moralidade e comportamento tido como padrão. As relações humanas são desnudadas, revelando alguma influência do escritor brasileiro, pela filosofia moderna, destacando-se o alemão Schopenhauer - sempre atento às análises psicológicas, ainda não trabalhadas por Freud ou qualquer outro. É assim que deve ser interpretado o romance, apesar do conturbado e agitado enredo; como um espelho da experiência humana e seus reflexos no Brasil. Embora, ao entorno, se delimite pelas fronteiras da história brasileira, o conto excede-as e se torna universal. Para satisfazer os desejos de sua esposa, Simão organiza uma comissão que levará ela, mais a esposa do boticário e alguns parentes ao Rio de Janeiro. Durante a viagem, Bacamarte descobre que a loucura não é somente uma ilha no meio de um oceano, mas sim um continente, e resolve colocar a idéia em prática. Começa então, sua ânsia em estudar a loucura frenéticamente, e interna na Casa Verde muitos membros queridos e respeitáveis da sociedade do vilarejo. Como revela em certo capítulo, chega a abrigar na Casa Verde 80% da população local. É quando descobre que sua linha de pensamneto estava incorreta, que o diagnóstico da loucura não é o desajuizo das faculdades, mas sim sua perfeita harmonia. Partindo deste princípio, interna os ditos virtuosos, abnegados, modestos e sem vícios. No meio destas luzes de sabedoria que abateram nosso nobre doutor, o povo manifesta sua ingniação com o médico e com sua Casa. Chegam a instaurar uma revolução contra a "Casa verde", que, em conturbado e épico desenrolar, acabam por tomar a Câmara. Era a Revolta dos Canjicas, liderado por um barbeiro. Mas a Casa Verde permanece, e lá os tipos excêntricos, como Mateus, Costa, e o próprio padre e esposa (do Bacamarte) estavam encarcerados. Com isto, dá-se uma contra-revolução, e uma restauração após. É interessante observar como a instituição de saúde permanece durante todos estes governos, e após libertados os supostos loucos, a estima pelo doutor ainda cresce, ao contrário do ódio e acusaões de tirania que precedram as revoltas. Um leitor atento consegue abstrair análises interessantes e ricas destes eventos; e algum mais esclarecido, perceba sátira estruturada, a partir de uma releitura da Revolução Francesa. A história acaba com Bacamarte se internando, após um dilúvio moral, onde sua paciência, metodologia e cientificismo esclarecem os mistérios da loucura. |



