Data: 16/07/2003 11:28:00
De: LucaS CarrascO
IP: 200.226.121.85
Assunto: Um Segredo sobre o Catatau
De: LucaS CarrascO
IP: 200.226.121.85
Assunto: Um Segredo sobre o Catatau
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Pendurei, há 2 dias, este comentário no meu bLoG:
A pérola CaTaTaU, tábula-rasa para minhas inferências descabidas, ainda é, para mim que o li já há ido ano e meio, ponto de partida fundamental. Pois bem. Em uma das das últimas aulas de latim, li um poema do poeta latino MARCVS VALLERIVS MARTIALIS, que - eis a intertextualidade! - fez coçar minha memória para uma passagem do Cata: "(...) De longe, três pontos... Em foco, Tatu, esferas rolando de outras eras, escarafuncham mundos e fundos. Saem da mãe com setenta e um dentes, dos quais dez caem aí mesmo, vinte e cinco ao primeiro bocado de terra, vinte o vento leva, quatorze a água, e um desaparece num acidente. Um, na algaravia geral, por nome, Tamanduá, esparrama língua no pó de incerto inseto, fica de pé, zarolho de tão perto, cara a cara, ali, aí, esdruxula num acúmulo e se desfaz eclipsado em formigas. (...)" (p.leminski, pg. 1) O poema latino: Bellus homo et magnus uis idem, Corta, uideri: sed qui bellus homo est, Cotta, pusillus homo est. Si memini, fuerant tibi quattuor, Aelia, dentes: expulit una duos tussis et una duos. Iam secura potes totis tussire diebus: nil istic quod agat tertia tussis habet. Qui ducis uultus et non legis ista libenter, omnibus inuideas, liuide, nemo tibi. "Thaida Quintus amat." "Quam Thaida?" "Thaida luscam." Vnum oculum Thais non habet, ille duos. Que traduz-se, com certa liberdade, em algo mais ou menos assim: Homem belo e de valor queres, Cota, parecer. Mas um homem, sendo belo, de valor não pode ser. Se bem me lembro, Élia, tu tinhas quatro dentes; uma tosse cuspiu dois e outra tosse, mais dois. Já tu podes sem susto os dias inteiros tossir, que uma terceira tosse o que tirar mais não tem... Você que franze os sobrolhos e não me lê de bom grado, quem morra sempre de inveja sem nunca ser invejado. Quinto ama Taís. Que Taís? A caolha. Ela é cega de um olho ele é cego dos dois. (Marcial) Parece, pois, que Leminski, durante a pesquisa que fez para escrever seu livro, buscou, mais uma vez, referências latinas. Sendo assim, o trecho "Saem da mãe com setenta e um dentes, dos quais dez caem aí mesmo, vinte e cinco ao primeiro bocado de terra, vinte o vento leva, quatorze a água, e um desaparece num acidente" do romance Catatau assemelha-se por demais com os versos "Se bem me lembro, Élia, tu tinhas quatro dentes;/ uma tosse cuspiu dois e outra tosse, mais dois." do poema de Marcial. Portanto, assim como no intróito da trama ("ergo sum, aliás, Ego sum Renatus Cartesius"), também na passagem citada Leminski parte de uma obra consagrada - como de O Discurso do Método, de René Descartes (Cartesius, em latim), ou do poema de Marcial - para chegar ao seu famigerado Catatau. /// LucaS CarrascO PS: Visite meu bLoG: http://www.casuloinverso.blogger.com.br PPS: Meus artigos sobre Leminski estão nesta página: http://www.geocities.com/ekklesiabr |



