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Data: 11/06/2003 19:45:18
De: LucaS CarrascO
IP: 200.226.142.104
Assunto: Re: Leia o GLaucO MaTToSo! Ouça o Itamar Assumpção!!
>> >>Épica nota discográfica do Itamar Assumpção e da banda Ísca de Polícia<< (AOS POUCOS E RAROS) [NOTA INTRODUTÓRIA: O contexto cultural no qual se inseriu o início da carreira do músico Itamar Assumpção e da banda Ísca de Polícia foi o movimento cultural chamado "Vanguarda Paulista". Este movimento foi subsequente à falência "ideológica" dos chamados "Tropicalismo" e "Marginália". A "safra de novos letristas/ poetas inovadores e informados" (Paulo Leminski, em PÓLO INVENTIVA, nº28, 1978) que surgiu no esteio da contracultura dos anos 60, já se perdia no final daquela década, com os tropicalistas Caetano Veloso & Gilberto Gil saindo de cena no exílio. Também deixaram aquele palco o Torquato Neto (suicídio) e o Tom Zé (ostracismo). A chamada "Marginália", "despertada pela salada de frutas tropicalista e reprisando no Brasil repressivo dos anos 70 o que o movimento hippie tinha estreado nos Estados Unidos na década anterior" (Glauco Mattoso, em O QUE É POESIA MARGINAL, 1981), viu o desleixo de seus membros, na maioria poetas, em relação à falta de referencial literário que os garantisse uma produção que contivesse algo além de um efêmero engajamento militante, com excessão de poucos poetas diferenciados. A chamada "geração marginal" representou o "fim dos grupos, equipes, movimentos, trabalho poético coletivo,/ poeta volta a ser um indivíduo,/ atomizado, isolado, desinformado,/ queda vertiginosa no nível da invenção e da inovação,/ inflação neo-discursiva social-participante (...) redundância e banalidade" (Leminski, 1978). A lenda da "geração marginal" começou a furar, pois os ditos "marginais" mais consagrados dos anos 70, articuladores da "pororoca" (ponte literária PR/SP/BH), como o paranaense Leminski e os baianos Risério e Waly Salomão, entre alguns outros, eles não estavam tão à margem quanto reza a lenda, pois ora empregados na publicidade ou pesquisando na universidade, ora veiculados no rádio por parcerias, estes poetas tinham sua poesia amplificada e difundida pela audiência da música popular ou das agências de publicidade - "estar em propaganda/ facilita enormemente as coisas para nós/ em termos de letra-set execução produção fotografia papel/ uma agência é um laboratório de mensagens" (Leminski, em carta a Régis Bonvicino, 1976). Num quadro mais abrangente, ambos estes movimentos culturais foram acontecimentos espontâneos em períodos de nenhuma liberdade - ai-5: censura, violação de direitos. Suas legendas, "Tropicália/Marginália", foram forjadas pela imprensa e diferente não aconteceu com a "Vanguarda Paulista" que agregara também, além do Itamar Assumpção & Ísca de Polícia, o Arrigo Barnabé, a Tetê Espíndola, a Ná Ozzeti, o Luiz Tatit, entre outros. A chamada "Vanguarda Paulista" foi, portanto, outro rótulo "criado pela imprensa para esse movimento independente - que, por ser independente, não tinha nenhum departamento de marketing para defendê-lo"1.] (...) Em relação às lendárias pendengas com as gravadoras e ao impasse entre ser independente ou não, fica este esclarecimento: "Se não me engano todos (os álbuns) pertencem hoje ao Itamar - que é outra batalha, o artista ser proprietário de seu repertório, coisa que nem os Beatles são."7 Em abril de 2001, Itamar Assumpção e Luiz Chagas participaram do MELOPÉIA: SONETOS MUSICADOS do Glauco Mattoso (leia mais sobre o Glauco neste site). Um blues formidável - na verdade é a música Pesadelo, de Luiz Chagas - emoldura o soneto Amélia & Emília. Colaboraram em outro soneto (Confessional), Paulo Tatit & Arnaldo Antunes. O Luiz Waack e o Paulo Lepetit participaramtambém da gravação do Soneto bélico. No meio de julho passado, um domingo, o Itamar, o Chagas e o Arnaldo tocaram juntos em São Paulo. No último fim de semana, o primeiro de agosto, o Ita e a Ísca se apresentaram no Itaú Cultural, com a Clara Bastos nos baixos, o Sérgio Guardado pulando com o violão, o Luiz Chagas na guitarra, o Gigante Brasil na bateria, grunhidos, mugidos, batuques nas bochechas e baquetadas no pano preto do fundo do palco, a Tata Fernandes e Anelis Assumpção nos vocais. A Elke Maravilha fez algumas "intervenções cênicas" e outras bolas fora. Entretanto (Fabi, Fabia...), foi uma noite fantástica (leia em breve a resenha neste site), precedida pelo agradável café num Fran's da Paulista com a Tulipa, o Luiz Chagas e o Sérgio Guardado (já tô quase batendo no teto meu!). O show foi pura adrenaveia. O Ita e a Ísca são duca!!! Na sequência, fomos prestigiar Luz de Caroline (banda do Gustavo Chagas) & Lanny Gordin no Urbano. O que aconteceu depois não me lembro mais... Faltou alguma coisa? Críticos, critiquem.... E não se esqueçam de regar tuas plantas. Lucas Carrasco agosto/2002 Notas: 1,2,3,4,5,6,7: Colaborações e esclarecimentos de Luiz Chagas. (Valeu pela metade do sanduba!). "DEDICATÓRIAS, MUITAS VEZES, SÃO VERDADEIRAS DECLARAÇÕES DE PRINCÍPIOS" Jean Portela. /// Espero ter ajuadado a você, caro Edgard Cruz. Abraços, LucaS CarrascO ">
Caro Edgard Cruz,

Eu também sou um apreciador de "poesia marginal". Sugiro que você o livro "O Que É Poesia Marginal", escrito nos anos 80 pelo cordial poeta paulistano Glauco Mattoso. Ou leia meus artigos sobre poesia marginal nos seguintes endereços:

http://www.geocities.com/ekklesiabr
http://www.casuloinverso.blogger.com.br

Mas, como um aperitivo, leia estas notas introdutórias de um artigo meu sobre a carreira do músico "marginal" Itamar Assumpção - artigo este que também foi pendurado pelo Elson Fróes (organizador deste fórum) aqui no Kamiquase.

>>>

>>Épica nota discográfica do Itamar Assumpção e da banda Ísca de Polícia<<

(AOS POUCOS E RAROS)

[NOTA INTRODUTÓRIA: O contexto cultural no qual se inseriu o início da carreira do músico Itamar Assumpção e da banda Ísca de Polícia foi o movimento cultural chamado "Vanguarda Paulista". Este movimento foi subsequente à falência "ideológica" dos chamados "Tropicalismo" e "Marginália". A "safra de novos letristas/ poetas inovadores e informados" (Paulo Leminski, em PÓLO INVENTIVA, nº28, 1978) que surgiu no esteio da contracultura dos anos 60, já se perdia no final daquela década, com os tropicalistas Caetano Veloso & Gilberto Gil saindo de cena no exílio. Também deixaram aquele palco o Torquato Neto (suicídio) e o Tom Zé (ostracismo). A chamada "Marginália", "despertada pela salada de frutas tropicalista e reprisando no Brasil repressivo dos anos 70 o que o movimento hippie tinha estreado nos Estados Unidos na década anterior" (Glauco Mattoso, em O QUE É POESIA MARGINAL, 1981), viu o desleixo de seus membros, na maioria poetas, em relação à falta de referencial literário que os garantisse uma produção que contivesse algo além de um efêmero engajamento militante, com excessão de poucos poetas diferenciados. A chamada "geração marginal" representou o "fim dos grupos, equipes, movimentos, trabalho poético coletivo,/ poeta volta a ser um indivíduo,/ atomizado, isolado, desinformado,/ queda vertiginosa no nível da invenção e da inovação,/ inflação neo-discursiva social-participante (...) redundância e banalidade" (Leminski, 1978). A lenda da "geração marginal" começou a furar, pois os ditos "marginais" mais consagrados dos anos 70, articuladores da "pororoca" (ponte literária PR/SP/BH), como o paranaense Leminski e os baianos Risério e Waly Salomão, entre alguns outros, eles não estavam tão à margem quanto reza a lenda, pois ora empregados na publicidade ou pesquisando na universidade, ora veiculados no rádio por parcerias, estes poetas tinham sua poesia amplificada e difundida pela audiência da música popular ou das agências de publicidade - "estar em propaganda/ facilita enormemente as coisas para nós/ em termos de letra-set execução produção fotografia papel/ uma agência é um laboratório de mensagens" (Leminski, em carta a Régis Bonvicino, 1976). Num quadro mais abrangente, ambos estes movimentos culturais foram acontecimentos espontâneos em períodos de nenhuma liberdade - ai-5: censura, violação de direitos. Suas legendas, "Tropicália/Marginália", foram forjadas pela imprensa e diferente não aconteceu com a "Vanguarda Paulista" que agregara também, além do Itamar Assumpção & Ísca de Polícia, o Arrigo Barnabé, a Tetê Espíndola, a Ná Ozzeti, o Luiz Tatit, entre outros. A chamada "Vanguarda Paulista" foi, portanto, outro rótulo "criado pela imprensa para esse movimento independente - que, por ser independente, não tinha nenhum departamento de marketing para defendê-lo"1.]

(...)

Em relação às lendárias pendengas com as gravadoras e ao impasse entre ser independente ou não, fica este esclarecimento: "Se não me engano todos (os álbuns) pertencem hoje ao Itamar - que é outra batalha, o artista ser proprietário de seu repertório, coisa que nem os Beatles são."7

Em abril de 2001, Itamar Assumpção e Luiz Chagas participaram do MELOPÉIA: SONETOS MUSICADOS do Glauco Mattoso (leia mais sobre o Glauco neste site). Um blues formidável - na verdade é a música Pesadelo, de Luiz Chagas - emoldura o soneto Amélia & Emília.

Colaboraram em outro soneto (Confessional), Paulo Tatit & Arnaldo Antunes. O Luiz Waack e o Paulo Lepetit participaramtambém da gravação do Soneto bélico.

No meio de julho passado, um domingo, o Itamar, o Chagas e o Arnaldo tocaram juntos em São Paulo. No último fim de semana, o primeiro de agosto, o Ita e a Ísca se apresentaram no Itaú Cultural, com a Clara Bastos nos baixos, o Sérgio Guardado pulando com o violão, o Luiz Chagas na guitarra, o Gigante Brasil na bateria, grunhidos, mugidos, batuques nas bochechas e baquetadas no pano preto do fundo do palco, a Tata Fernandes e Anelis Assumpção nos vocais. A Elke Maravilha fez algumas "intervenções cênicas" e outras bolas fora. Entretanto (Fabi, Fabia...), foi uma noite fantástica (leia em breve a resenha neste site), precedida pelo agradável café num Fran's da Paulista com a Tulipa, o Luiz Chagas e o Sérgio Guardado (já tô quase batendo no teto meu!). O show foi pura adrenaveia. O Ita e a Ísca são duca!!! Na sequência, fomos prestigiar Luz de Caroline (banda do Gustavo Chagas) & Lanny Gordin no Urbano. O que aconteceu depois não me lembro mais...

Faltou alguma coisa? Críticos, critiquem....

E não se esqueçam de
regar tuas plantas.


Lucas Carrasco
agosto/2002

Notas: 1,2,3,4,5,6,7: Colaborações e esclarecimentos de Luiz Chagas. (Valeu pela metade do sanduba!).

"DEDICATÓRIAS, MUITAS VEZES, SÃO VERDADEIRAS
DECLARAÇÕES DE PRINCÍPIOS" Jean Portela.
///


Espero ter ajuadado a você, caro Edgard Cruz.

Abraços,
LucaS CarrascO
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Em resposta a:
  • Curiosidade (Edgard Cruz - 09/06/2003 18:37:58)

  • Respostas:
  • Re: Re: Leia o GLaucO MaTToSo! Ouça o Itamar Assumpção!! (josette lassance jlassance@bol.com.br - 17/11/2003 11:37:56)


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