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"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens." (Fernando Pessoa, em "O Eu Profundo")
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Data: 16/04/2008 00:59:33
De: Isabel Rosete (isabelrosete@gmail.com)
IP: 77.54.68.228
Assunto: Pessoa: os outros de si mesmo
Amo Pessoa, particularmente Álvaro de Campos, o "engenheiro naval", nascido em Tavira (Algarve, Sul de Portugal), no dia 15 de Outubro de 1980. Escreve «razoavelmente mas com lapsos como dizer “eu próprio” em vez de “eu mesmo”».
«É alto, magro, e um pouco tendente a curvar-se (...) entre o branco e o moreno, cabelo porém liso e normalmente apartado ao lado, monóculo (...). Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o "Opiário". Ensinou-lhe latim um tio beirão que era padre».
Em sintonia está com Bernardo Soares, o autor da «Mensagem», desapartado de Caeiro – «pura e inesperada inspiração» – e de Reis, exemplificação «de uma deliberação abstracta, que subitamente concretiza numa ode».
Mas, «como escrevo em nome dos três?», pergunta Pessoa, a si mesmo, Pessoa ortónimo. A resposta do Poeta é clara em todo o seu aparato enigmático, próprio da heteronomia: «Campos, quando sinto um súbito impulso para escrever e não sei o quê. (O meu semi-heterónimo, Bernardo Soares, que aliás em muitas coisa se parece com Álvaro de Campos, aparece sempre que estou cansado ou sonolento, de sorte que tenha pouco suspensas as qualidades de raciocínio e de inibição; aquela porosa é um constante devaneio (...). Sou eu menos o raciocínio e a afectividade», escreve Fernando Pessoa numa Carta dirigida a Adolfo Casais Monteiro, sobre a origem dos seus heterónimos, publicada na revista «Presença», Nº 49, Junho, 1937.

Isabel Rosete
13/03/08

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