Data: 11/08/2006 17:57:37
De: Manoel Messias Pereira (manoelmessias03@pop.com.br)
IP: 200.177.17.16
Assunto: Setembros chilenos
De: Manoel Messias Pereira (manoelmessias03@pop.com.br)
IP: 200.177.17.16
Assunto: Setembros chilenos
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Os brasileiros de um modo geral, já aprenderam a conviver com os calendários eleitorais. Porém a acada eleição, vem-me a mente a data de 04 de stembro de 1970, quando ainda a primavera ensaiava a chegar, as flores já estava enchendo os olhos de belezas e as mulheres estavam lindas com seus vestidos floridos, e o Chile elegia o primeiro Presidente Socialista, pelo voto popular.
Assim chegou ao poder o médico socialista Salvador Allende, fundador do Partido Socialista. O governo popular, organizou um massivo plano de alfabetização, e um programa de acesso a cultura para todo o povo chileno. E cada praça transformou-se num centro de atividades culturais, e tudo transformou-se em oficinas de teatros, e cinemas, sendo que Miguel Littin organizou no âmbtio governamental festivais e encontro de cineastas. A Sociedade de escritóres do Chile e outras entidades, poetas e narradores viajavam pelo País, mostrando ao povo suas criaçõers e trocando experiencias. Pablo Neruda foi nomeado embaixador na França, Nicanor Parra publicou Anti-poemas e Atefactos uma especie de caixinha com divertidos e críticos poemas concretos, Jorge Teiller publicou o livro "Muertes y maravillas", e Hernán Lavin Cerda, profetizou em La Conspiracion. Em 1970 surgiu um verdadeiro boom de editras, como Gabriela Mistral, Universitária, Nascimento e outras tantas editoras artesanais, além de diversas revistas literarias como a de Nelson Osório em Valparaiso, Talles de Letras da Universidade Católica do Chile com Jorge Damon-Laguna e Hacia do poeta André Sabella entre outras tantas. Escritóres brasileiros como Thiago de Mello, Ferreira Gullar, Alfredo Sirkis, e fernando Gabeira e muitos outros exilados, la chegaram com a esperança de poder colaborar com o estado democrático e socialista. O povo chileno estava feliz, seus direitos individuais e coletivos garantidos, e nunca respirou-se tanta libedade. Pablo Neruda em 1971 recebeu o Prêmio Nobel da Literatura, Humberto Diaz Casanueva ganhou o Prêmio Nacional de Literatura e fazendo coro com as letras Luis Advis estreia "Cantata para Una Semilla" com textos da poetiza Violeta`Parra. Mas toda a felicidade acaba num outro setembro, quando as flores ainda pensavam em surgir, quando a chuva caia apos o sol, como benças da própria natureza, o povo estava numa euforia sócio-politico cultural que crescia dia a dia, com todas as igualdades de oportunidades. Mas o generalíssimo PINOCHET, numa orquestração norte americana, golpeia o povo, com o Big Stick, tendo como pano de fundo a guerra fria e a tal coexistencia pacífica não tão pacífica. O Estado foi bombardeado, Allende morto, e todos os vestígios de humanidade social apagados, supensas as reformas educacionais, todas as atividades culturais foram substituidas por violências e sangues, todos os jornais fechados e apenas circularam diarios oficiais. Tudo em nome do capitalisamo. Eis o que significou o 11 de setembro de 1973. Uma pergunta ficou e faço agora em 2006 quando o Brasil prepara-se pra mais uma eleição. Que mal há em gostar da felicidade geral, da chuva de alegria do povo, do socialismo, fraterno, solidario para todos ? |



