De: Sílvio Vieira de Andrade Filho (vieira.sor@terra.com.br)
IP: 200.177.91.170-
Assunto: Resenha do livro sobre o Cafundó
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Resultado de minha tese de Doutorado na Universidade de São Paulo, o livro "Um Estudo Sociolingüístico das Comunidades Negras do Cafundó, do Antigo Caxambu e de seus Arredores" (ISBN: 85-89017-01-X) lançado em 07.12.2000 pela Secretaria da Educação e Cultura de Sorocaba possui conteúdo regional, mas apresenta interesse nacional e internacional. O livro-documentário de 336 páginas de 46 linhas cada está dividido em oito partes. Toda a história do livro está baseada em documentos encontrados em vários cartórios da região de Sorocaba com autorização judicial. Esta pesquisa não pode ser considerada definitiva, uma vez que a ciência sempre avança. A primeira parte deste livro focaliza o Brasil africano: as culturas africanas no Brasil, a população afro-brasileira, as comunidades negras do país, línguas em contacto e o contacto de línguas africanas com a língua portuguesa. A segunda parte faz um estudo sociológico e histórico de uma parte da região administrativa de Sorocaba situada no Estado de São Paulo, Brasil. Trata do surgimento de vilas da região que mais tarde se tornaram municípios (Sorocaba, Itapetininga, Pilar do Sul, Sarapuí, Salto de Pirapora e Araçoiaba da Serra) e das comunidades negras do Cafundó (Salto de Pirapora) e do antigo Caxambu (Sarapuí). Além do Cafundó e do antigo Caxambu, a obra focaliza também a Fazendinha dos Pretos (Salto de Pirapora), os Camargo e a antiga Fazenda do Pilar que deu origem posteriormente a Pilar do Sul. Em todos estes locais, são estudados o contexto, os problemas fundiários, as genealogias, etc. Neste estudo, entram também propriedades e proprietários rurais do séc. 19 com a presença de mão-de-obra escrava. Os senhores destas propriedades fizeram doação de terras a seus escravos. No entanto, posteriormente, houve dificuldades de manterem-se os descendentes destes escravos nas terras herdadas por seus antepassados. Por esta razão, há atualmente duas associações (Associação Afro-brasileira de Salto de Pirapora e Região e Associação Afro-brasileira de Sorocaba e Região) cujos objetivos principais são a preservação da cultura afro-brasileira e a busca de soluções para as suas questões fundiárias junto aos órgãos governamentais (indenização ou obtenção de terras das que o governo federal possui provenientes do não pagamento do Imposto Territorial Rural). Todas as associações afro-brasileiras mencionadas utilizam e dão apoio ao livro. Ainda nesta segunda parte, a obra traz também "causos" do folclore da região (lobisomem, boitatá, saci, etc.) que o tempo já vem, infelizmente, apagando. A partir da terceira parte, surgem os estudos lingüísticos da fala africana denominada "cupópia", o traço cultural mais forte da região. Esta fala existe no Cafundó (Salto de Pirapora), mas nasceu no antigo Caxambu (Sarapuí). A pesquisa de campo possui dois dicionários: "cupópia"-português e português-"cupópia". Estes são lexicais, perifrásticos e possuem transcrição fonética. A obra contém uma descrição da "cupópia" nos níveis fonético-fonológico, morfológico, sintático, semântico e textual. Este trabalho de ecologia lingüística que segue uma linha gerativo-textual apresenta comparações entre algumas falas africanas do Brasil e trata destas historicamente. Mapas, documentos e fotos tiradas pelo próprio autor ilustram a obra que possui também um "corpus" de palavras, perífrases, enunciados e vinte e dois textos com tradução para o português.
Mais informações sobre o livro podem ser encontradas nos seguintes links: http://www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=7863&id_noticia=2 http://www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=7863&id_noticia=4 Atenciosamente, Sílvio Vieira de Andrade Filho |



