Data: 20/07/2006 16:46:22
De: Serjão
IP: 201.11.173.96
Assunto: MAFIA NA LOTERIA ESPORTIVA - BRASIL (MUSEU)
De: Serjão
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Assunto: MAFIA NA LOTERIA ESPORTIVA - BRASIL (MUSEU)
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PARTE I - Campinas, SP, 25 (AFI) - A Revista Placar, em outubro de 1982, apresentou uma matéria especial que teve repercussão semelhante a que promete o novo escândalo da arbitragem, agora divulgada pela Revista Veja, ambas da Editora Abril A base, era a mesma. A manipulção de jogos que estavam em loterias. Na época, não existia a INTERNET e as apostas eram apenas as convencionais, feitas em Casas Lotéricas. Na ocasião, a Revista Placar denunciou uma armação de resultados para favorecer aqueles que jogavam na Loteria Esportiva, então a principal loteria do Brasil, que pagava prêmios milionários. No final, muitos dos citados pela Revista Placar, acabaram processando a própria revista por acusações infundadas e foram indenizados judicialmente, já que Placar tomou por base depoimento de um radialista cearense, Flávio Moreira, sem que houvesse maiores provas. Com a matéria publicada, a Loteria Esportiva ficou desmorazliada e hoje não representa nada do que representou nos ano 70. A Revista Placar, que era o principal veículo da comunicação esportiva do Brasil, com concorridas edições semanais, hoje tem apenas edições mensais, com repercussão pequena. O Futebol Interior traz na íntegra as matérias publicadas em 1982 pela Revista Placar. Escândalo da Loteria Esportiva – PLACAR POR SÉRGIO MARTINS - Equipe PLACAR UMA CADEIA DE MUITOS ELOS Como se um vendaval o tivesse despertado de um calmo sono tropical, o futebol brasileiro reagiu abruptamente às denúncias de PLACAR. Antes da edição chegar às bancas de todo o país, terça-feira passada, telefonemas estouravam na redação. 0 repórter Sérgio Augusto Carvalho, de Belo Horizonte, surpreendeu-se ao ouvir, do outro lado da linha, urna voz ameaçadora: "Se o meu nome aparecer nessa reportagem vou te visitar no necrotério". O dono da voz, provavelmente, desistiu do seu objetivo, mesmo porque, nos dias que se seguiram, o único incidente a quebrar a rotina jornalística de Sérgio Augusto foi provocado pelo truculento técnico lustrich, do Cruzeiro, que o ofendeu com palavrões e gestos obscenos em plena Toca da Raposa, diante de jogadores, repórteres e dirigentes. A grosseria de lustrich, censurada pelo presidente Felício Brandi, mereceu enérgico protesto da Associação de Cronistas Esportivos local. Atos intempestivos como esse podem intimidar o jornalista, mas fazer uso de violência não recomenda ninguém. Autor de uma moção de repúdio a PLACAR, aprovada pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro, do qual faz parte, o juíz Francisco Horta sustentou que a denúncia apenas serviu para denegrir a imagem do futebol. Entre imagem e realidade há diferenças às vezes fatais, e o próprio Horta é um exemplo: foi afastado da Vara de Execuções Criminais, que dirigia até outubro passado, "por manter fraternal amizade com o então presidiário Mariel Maryscotte de Matos", como lembra nesta semana a revista Veja. Simular uma aparência de saúde, aliás, é típico de regimes autoritários, incapazes de dialogar mas coniventes com todo tipo de expediente. Assim como a prática da tortura floresceu à sombra da censura à imprensa, a manipulação dos testes da Loteria aproveitou-se da ausência de fiscalização dos organismos competentes. Hoje, expurgar o futebol e reabiIitá-lo aos olhos de miIhões de apostadores e torcedores é tarefa que deve mobilizar o país inteiro, ao contrário do que supõe o advogado Jomar Macedo, do Sindicato dos Atletas Cariocas. Cético, ele confessava a Lemyr Martins, de PLACAR, ao repórter Israel Gimpel, da Rádio Jovem Pan, e ao apresentador Ruy Viotti, nos bastidores do programa "Olho no Lance", gravado na TV Record sexta-feira última, em São Paulo: "Corrupção neste país existem muitas, mas o difícil é provar' '. Diante das câmeras, Macedo empregou uma retórica lacrimogênea para defender seus clientes. Um deles, o meio-campo Paúra, teria perdido uma oportunidade de emprego por causa de seu envolvimento na denúncia. "Um honrado pai de família", bradava o advogado. Um dia antes, na cidade capixaba de Colatina, o ponta-direita Carlinhos, ex-companheiro de Paúra no Rio Branco de Vitória, foi entrevistado pela Rádio Difusora local. E confirmou: "Quem estava envolvido mesmo era o Paúra e uma patota que veio jogar no Rio Branco. Eles estavam por dentro desse negócio". Provar é tarefa que cabe à polícia. Assim, rastreando a trilha de PLACAR, o ministro da Justiça, Ibrahim Abi-Ackel - depois de receber um pedido formal nesse sentido do presidente da CBF, Giulite Coutinho, interessado desde o primeiro momento em moralizar o futebol brasileiro -, determinou na sexta-feira que a Polícia Federal abrisse inquérito para apurar as denúncias. As evidênclas oferecidas na reportagem foram consideradas graves o suficiente para merecerem investigação oficial. Mais que isso: a queda de 11% no movimento de apostas da Loteria Esportiva na semana passada é um indicador de que a opinião pública exige o esclarecimento dos fatos. No fim da semana, o general da reserva Ítalo Conti, deputado federal pelo PDS paranaense, anunciava em Curitiba que iria pedir a instauração de Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar o escândalo da Loteria. "Quero ver as provas", protestava nervosamente o goleiro Toinho, do São Paulo, um dos 125 nomes arrolados na reportagem. "Vou cobrar 10 milhões de PLACAR", insinuava o lateral-direito Paulo Maurício, do Fast Clube de Manaus, o mesmo que no dia 13 de agosto passado foi corrido do Fortaleza, seu time na época, por tentar subornar os próprios companheiros. "Ele rondou o meu apartamento e, desde então, eu ando armado de revólver", argumentou o zagueiro Nelson, que denunciou a trama e passou a temer pela segurança de sua família. O ex-zagueiro Oberdã Vilain, que também promete investir contra PLACAR, tem histórias nebulosas em seu passado. Um técnico do interior paulista confirmou, na semana passada, que Oberdã integra há anos o grupo de Luís Afonso Camargo, Dreyer e Orlando Lelé, em apostas de Loteria. Em Santos, comenta-se até hoje que provocou a brusca rescisão de contrato solicitada pelo goleiro Cejas, em outubro de 1975. Este teria decidido retornar à Argentina depois de ter recebido uma proposta de suborno por parte de Oberdã, à época em que ambos defendiam o Santos de Pelé - o episódio, aliás, foi citado pelo jornal O Repórter, do Rio, em sua edição de 16/08/1981. Provas materiais são dificílimas na apuração do suborno e, no seu estrito formalismo jurídico, o advogado Jomar Macedo tem alguma razão. Uma ordem de pagamento enviada através do União de Bancos Brasileiros, no valor de Cr$ 500.000,00, em setembro de 1979, a Aírton Vieira de Morais, o Sansão, por conta da intermediação do suborno do juíz Júlio César Cosenza, não serviu para tipificar o crime. Ao empreender suas investigações, a Polícia Federal irá esbarrar em obstáculos sérios, a começar da míope visão de alguns membros da comunidade do futebol, como o goleiro Solito, do Corínthians, que se escorou numa suposta recomendação da diretoria do sindicato paulista para não relembrar - com nomes - a tentativa de suborno de que foi vítima quando defendia o Náutico de Recife, em setembro de 1980. "Isso é comum no Nordeste", admitiu Solito ao repórter Mário Serapicos. É de se supor que o sindicato, por representar a classe e defender seus interesses legítimos, reclame a apuração completa dos fatos, em lugar de defender a lei do silêncio. Foi o que pretendeu fazer o sindicato carioca, ao propor boicote aos repórteres de PLACAR, numa atitude em tudo semelhante à tomada pelos jogadores da Seleção Brasileira, durante a excursão à Europa em 1973, traduzida no infeliz "Manifesto de Glasgow". Nos dois episódios, a tentativa corporativa de garantir imunidade a todos - e o caso Tadeu Macrini é nesse sentido exemplar. No sábado passado, refugiado numa praia do litoral paulista, Macrini manifestava a intenção, declarada através de sua mãe, dona Leonor, em São Paulo, de processar PLACAR através dos advogados do sindicato. Tendo saído às pressas de Franca - providenciou mudança e entregou as chaves do apartamento onde morava num prazo recorde de oito horas -, deixou em seu rastro um depoimento comprometedor ao delegado Naur Apparecido Cerissi, que instaurou o primeiro inquérito policial a partir da denúncia de PLACAR. Na verdade, o presidente da Francana, José Corrêa Neves, resolveu ir em frente estimulado pela reportagem - e esse "ir em frente" compromete radicalmente a lisura dos testes da Loteria Esportiva. No dia 20 de outubro passado, o centroavante Tadeu Macrini, da Francana, recebeu Cr$ 300.000,00 do diretor Marcelo Martínes, do São Paulo. A entrega foi feita minutos antes de se iniciar o jogo entre as duas equipes, inscrito no teste n. 619. Se o dinheiro foi oferecido como recompensa por uma vitória no domingo anterior sobre o Corínthians, ou como suborno, é o que menos interessa. 0 ponto essencial é a distorção por meio artificial de um outro tipo de jogo - o teste lotérico ao qual concorrem semanalmente 11 milhões de cartões, ao prêmio mínimo de Cr$ 30,00. No Rio de Janeiro, 0 ex-árbitro Neri José Proença, hoje comerciante em Teresópolis, confessou ...... ............continua... - futebolinterior.com.br |



