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JOÃO JOSÉ CAVALLAZZI
Uma semana após o maior apagão da história do Estado, finalmente os cinco trabalhadores que estavam sob a Ponte Colombo Salles na hora do acidente poderão ser ouvidos. Eles estavam proibidos de falar por orientação da direção da Celesc.
A decisão foi tomada ontem, depois que DC adiantou nomes dos envolvidos e detalhes do depoimento informal à comissão interna constituída pela direção da estatal. Está marcada para as 14h de hoje uma entrevista coletiva de imprensa com os cinco, na sede da Celesc, no Bairro Itacorubi.
Os relatos mais esperados são dos técnicos Evaldo Rocha Floriano, 40 anos completados na sexta-feira passada e há 18 na Celesc, e Jacques Naschenweng, 39 anos e há 20 como funcionário da estatal.
Foram eles que caíram no mar e esperaram por mais de uma hora o resgate depois que se iniciou o incêndio na galeria sob a ponte, na tarde de quarta-feira passada, 29 de outubro. Floriano, que manuseava o maçarico que provocou a explosão e o conseqüente incêndio e rompimento dos cabos de alta-tensão, sofreu escoriações no rosto e no braço esquerdo, enfaixado.
Naschenweng, que é o responsável pelo setor de manutenção da Celesc, não teve ferimentos. "Estamos traumatizados até agora", disse ontem à tarde. Na entrevista de hoje, porém, os técnicos não devem apresentar novidades. Vão repetir, em uníssono, o discurso determinado pela Celesc.
Teoria é que acidente não poderia ser evitado
A versão é de que a causa do blecaute foi a existência de um depósito de gás na galeria por onde passam os cabos, "provocado talvez por algum material em decomposição". O gás teria aumentado a chama do maçarico utilizado na manutenção da linha, fazendo com que Evaldo Floriano perdesse o controle do fogo.
A versão, pouco verossímil, é uma tentativa da estatal de dar a entender que houve um acidente que não poderia ser evitado. Descartando as suspeitas de negligência ou imperícia, a Celesc espera escapar da multa. Uma outra versão circula entre os profissionais que socorreram os técnicos. A chama do maçarico teria atingido os cabos que têm óleo dentro, que, por já estarem quentes, desencadearam o fogo.
Para o presidente da estatal, Carlos Rodolfo Schneider, o uso do maçarico por um botijão de gás é "normal". O botijão não explodiu, disse. Ele afirmou que a manutenção seguiu as normas de segurança, apesar de o grupo não levar extintores de incêndio nem usar roupa apropriada para locais expostos a calor excessivo.
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Obras: trabalhos são feitos dentro da ponte e devem terminar no dia 10 de dezembro | 
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