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De em 30/04/2006 13:45:13 a partir de 200.163.227.202-

A EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO SOCIAL

Sempre que se fala de história são relacionados fatos memoráveis aos quais são associados, na dimensão espaço-tempo, participantes e responsáveis imediatos por sua ocorrência. Outrossim, tanto os fatos quanto os personagens salientados contaram com antecedentes cuja contribuição, intencionada ou não, favoreceu a ocorrência de fenômenos sociais. Neste sentido, a identificação destes fatos como memoráveis e dos participantes como responsáveis, junta-se às conseqüências e ao interesse ou objetivo de quem fez o registro, bem como de quem pretende construir a história
Desta forma, tem-se como objetivo relacionar o pensamento de alguns autores que, tendo se preocupado mesmo que indiretamente com os problemas sociais ou com o comportamento social, contribuíram para que hoje possamos contar, entre as Ciências Sociais (conjunto de ciências que têm por objetivo o estudo dos diferentes aspectos da manifestação da vida grupal seja através da Antropologia, da Economia, da Geografia Humana, da História, da Política e da Psicologia Social), com a Sociologia, que é uma ciência que estuda as relações sociais, as estruturas sociais, as transformações sociais, suas formas e seus fatores.
Assim, de acordo com várias correntes de pensamento, segue historicamente os principais pensadores de toda uma evolução do pensamento social até o advento da Sociologia propriamente dita.
FILOSOFIA ANTIGA - (séc. VII a.C. ao séc. VI d.C.)
Período pré-socrático (séc. VII ao séc.V a.C.)
Os pensadores dessa época tentam obter explicações para os mistérios da natureza: sua origem, sua constituição, suas leis intrínsecas, suas mutações. Dentre seus principais pensadores destaca-se aqueles que acreditam que o princípio do mundo está na água, no ar, no fogo, na terra e na teoria atômica.
Período socrático (séc. IV a.C.)
Devido ao fato de o cidadão ser estimulado a participar, deslocou-se o centro de interesse da reflexão filosófica da natureza para o homem. Os filósofos priorizam o ser humano como tema de pesquisa. A filosofia investiga as questões humanas, isto é, a política, a ética e as técnicas. Sócrates é, portanto, um marco divisório. Com ele cria-se um esplendoroso edifício filosófico da Idade Antiga, baseado num sólido tripé: Sócrates, Platão e Aristóteles. Sua grande contribuição em conduzir a mente humana a definir conceitos cresce com Platão em suas elucubrações sobre as idéias e atinge o clímax com o grande sistema de pensamento de Aristóteles.
- Sócrates ( 469 a 399 a.C.)
De vocação filosófica, foi um educador social. De vida simples e desapegada mistura-se com os cidadãos tentando arrancar os atenienses das futilidades, das idéias enganosas, dos discursos vazios, da corrupção e dos modismos. Faz isso dialogando, debatendo, fazendo perguntas, desinstalando as mentes e mentalidades principalmente dos jovens.
Acusado pela sociedade de corromper a juventude e desrespeitar os deuses, Sócrates é condenado à morte. Rodeado pelos discípulos e recusando um plano de fuga traçado por eles, consola-os pela dor de perdê-lo. Serenamente bebe a mortal cicuta aos 70 anos. Pelo que se sabe nada escreveu. Suas idéias são conhecidas através dos escritos de seus alunos, sobretudo Platão.
Sócrates não se conforma com o artificialismo e a superficialidade dos sofistas, ou seja, dos formadores de opinião do povo ateniense. Ele propõe uma mudança radical na busca do saber quando verifica a ignorância do ser humano - que é o início da filosofia (“sei que nada sei”).
Para Sócrates, a essência do homem é a alma que é imortal. Cuidar de si é cuidar da alma. Ele é, sobretudo, moralista e prático. Sua especulação visa a atuação reformadora. Saber para agir. Sua ética gira em torno da virtude, que é identificada com o saber. Pensar bem para viver bem. O vício é a ignorância. O homem é mau por ignorância; não segue o bem por desconhecê-lo.
- Platão (427 ou 428 a 347 a. C.) - idealismo
Tomando por base a cidade da época, a sociedade é natural porque é necessária para os homens atingirem a felicidade, o fim último. Faz-se necessário, porém, existir uma autoridade a fim de que se respeite a ordem e a hierarquia dos prazeres que é obtida através do Estado, organização social dos homens. As melhores condições para se instaurar o domínio do bem e a realização da ordem e da justiça encontram-se num sistema político e econômico que só admite a propriedade estatal dos meios de produção e das mercadorias produzidas, ou seja, num comunismo de natureza racional, baseado nas capacidades diversas de cada ser humano.
Segundo Platão, a sociedade era dividida em três categorias sociais principais: os trabalhadores, os guerreiros e os governantes cada qual com suas respectivas funções. Os escravos não pertenciam às categorias sociais regulares apresentando-se como uma necessidade lamentável.
Quanto à estrutura social, o Estado era regido pela vontade comum e a democracia era condenada. A preferência era da aristocracia (forma de organização social e política em que o governo é monopolizado pela classe da nobreza), admitindo-se a monarquia (forma de governo em que o poder supremo é exercido por um monarca; reinado, ou seja, poder vitalício e hereditário: rei ou imperador). Portanto, os governantes devem filosofar (ser sábios) e os filósofos devem governar. Assim, através da sabedoria poderão conduzir o Estado a aproximar-se do modelo ideal.
A harmonia geral é assegurada pela justiça que objetiva o que é melhor para todos impondo a cada categoria um cumprimento do seu dever e a prática da virtude correspondente. Para tanto, insiste mais em seus fundamentos do nas sanções decorrentes de sua transgressão. A justiça também estabelece a igualdade proporcional, isto é, distribui a cada um os direitos na medida de seu valor e as honras de acordo com seus méritos, educação e virtude.
- Aristóteles (384 a 322 a. C.) - realismo
Como para Platão, o Estado restringe-se à cidade. Assim, o Estado é um agrupamento de famílias organizadas mediante o auxílio mútuo. Desta forma, pode-se dizer quanto à estrutura social que a nação é um simples aglomerado de famílias unidas pela identidade da raça, língua e civilização. É a organização política suprema e perfeita. Porém, para manter a união e a estabilidade social se faz necessário a existência de uma autoridade com poder de legislar, administrar e aplicar sanções. Esta função cabe ao Estado que deve regular a educação para todos, exigindo métodos e instrução uniforme capaz de inspirar o amor pelas instituições.
O exercício da autoridade pode ser feito mediante três formas de governo: aristocracia (governo dos melhores), monarquia (governo de um só) e democracia (governo do conjunto dos cidadãos). A melhor forma de governo é a que se adapta ao caráter da cidade. No entanto, para um povo habituado à liberdade, melhor é aquela em que todos os cidadãos participam mediante uma aristocracia. Aí os cargos são reservados à categoria superior. Aquela que é mais interessada no bem comum, mais digna e capaz de governar por aptidões hereditárias e pela educação. A fiscalização fica com as assembléias do povo.
Quanto ao objetivo ético, Aristóteles aponta cinco aptidões do homem: experiência, habilidade, prudência, ciência e razão. Essas aptidões marcam uma escala que permite ao homem elevar-se da condição animal até atingir o Ser Supremo. Como o homem é racional, sua perfeição é o exercício da racionalidade na busca da felicidade que é o fim supremo. Ou seja, Vivendo segundo a razão, é feliz.
No entanto, o Estado conta com duas categorias: cidadãos e servos. Os cidadãos são homens livres que o nascimento, a educação e as disposições o tornam dignos de aspirar à plenitude da vida intelectual. Já os servos, cuja condição os torna incapazes de aspirar à felicidade, têm duplo impedimento para aspirar à plenitude da vida intelectual: falta de tempo e hábitos grosseiros. Os escravos são quase desprovidos de inteligência e reconhecidos por seu vigor animal, cuja vocação obrigatória é a de obedecer.
Período pós-socrático – (séc. III ao séc. I a.C.)
A filosofia transforma-se em um sistema de vida procurando preencher os vazios deixados pela negação dos mitos.
Período patrístico (séc. I ao séc. VII d.C.)
A filosofia grega defronta-se com o cristianismo dos padres da Igreja Católica. Surgem as primeiras elaborações filosóficas viabilizando uma conciliação entre as verdades religiosas oriundas da fé na revelação divina e a razão humana. A filosofia patrística liga-se, portanto, à tarefa religiosa da evangelização e à defesa da religião cristã contra os ataques teóricos e morais que recebia dos antigos. O grande destaque é Santo Agostinho, para quem Deus é sabedoria. Por isso, o verdadeiro filósofo é um amante de Deus. A raiz do seu pensamento é nutrida pela religião: é a fé buscando explicações.
FILOSOFIA MEDIEVAL (séc. VIII ao séc. XIV)
Sofreu grande influência das idéias de Platão, Aristóteles e de Santo Agostinho. Surge neste período a filosofia cristã, que é, na verdade, a teologia. As cogitações relativas aos grupos sociais tornaram-se fortemente influenciadas pela religião. Um de seus temas mais constantes são as provas da existência de Deus e da alma. A filosofia cristã prevalece.
- Santo (São) Tomás de Aquino (1225 a 1274)
De família nobre do sul da Itália, entre Roma e Nápoles, renuncia a tudo e entra na ordem dos Dominicanos. Vai para Paris e depois para a Alemanha onde leva uma vida praticamente nômade. É muito requisitado por sua genialidade a dar cursos em quase todos os centros da Itália, França e Alemanha.
Embora sua maior grandeza seja como teólogo, como filósofo é um compilador de idéias através das quais eleva-se acima de todos sem sequer diminuí-los. Para São Tomás de Aquino o homem é um composto de alma e corpo. A alma fornece a existência ao corpo e à vida, ou seja, o corpo é a matéria necessária à atividade da alma que é a responsável pela inteligência e a vontade do ser humano e não se desfaz com o corpo. Portanto, a alma é imortal.
Retomando o pensamento de Aristóteles, São Tomás de Aquino procura por meio do conceito de contingência e da hierarquia do ser, chegar, pela luz da filosofia, ao Ato Puro (Deus). Segundo ele, o conhecimento inicia-se com a sensação, pois nada há no intelecto que não tenha passado pelos sentidos, uma vez que o intelecto é uma potência receptiva de todas as formas sensíveis. O objetivo último do homem é o aperfeiçoamento da própria natureza que só é atingido em Deus. Portanto, o homem deve adequar-se à norma moral que lhe é encorajada como reflexo da lei eterna da vontade de Deus.
FILOSOFIA DA RENASCENÇA (séc. XIV ao séc. XVI)
É marcada principalmente pela descoberta de obras de Platão desconhecidas na Idade Média, de novas obras de Aristóteles e pela recuperação de obras de autores e artista gregos e romanos. Neste sentido, destacava-se a idéia de natureza como um grande ser vivo; a valorização da vida ativa, ou seja, a política, através da qual se defendia os ideais republicanos das cidades; e os ideais do homem como artífice de seu próprio destino, seja através dos conhecimentos, da política, das técnicas ou das artes. Aparecem obras vigorosas em que propunham normas entrosadas de política e economia e eram abordados vários problemas sociais. Assim, inicia-se uma visão crítica de sua própria sociedade, o que levou a críticas profundas à Igreja Romana culminando na Reforma Protestante, baseada na idéia de liberdade de crenças e de pensamento. À Reforma a Igreja respondeu com a Contra-Reforma e com o recrudescimento da Inquisição.

- Erasmo de Roterdã (1466 a 1536)
Considerado o “príncipe dos humanistas” usou uma linguagem simples e elegante para esclarecer problemas teológicos e superar a angústia metafísica da Europa de sua época.
Desprezando as doutrinas escolásticas, escreveu Elogio da Loucura, obra em que denuncia algumas atividades da Igreja e a imoralidade do clero, delineando a atuação da Reforma Protestante. Por um lado estimulou o aparecimento do protestantismo, por outro defendia a tolerância e a humildade como os caminhos mais sensatos para se alcançar o verdadeiro cristianismo. Inclusive condenou publicamente o reformador Lutero pela criação de novos dogmas que constituíam os papais. Crítico dos abusos e desvios da Igreja, para Erasmo cada religião pode compendiar-se com uma só palavra que é a palavra paz. E a paz religiosa somente pode existir limitando-se ao menor número possível em definições teológicas.
- Maquiavel (1468 a 1527)
Segundo ele, o Estado é uma sociedade formada por pessoas isoladas que buscam a própria vantagem e só conhecem o mal. Neste sentido, o Estado tem que ser forte e poderoso impondo-se aos homens para que não se lancem uns sobre os outros aniquilando-se mutuamente. A integração dos homens deve-se operar sem vínculos com a natureza e crenças no além, mas com sentimentos egoístas e em suas paixões.
Maquiavel inicia o pensamento político moderno ao expressar sua revolta com a situação da Itália que passava por uma devastadora divisão em repúblicas rivais apontando o despertar do interesse nacional como solução para o país. Em sua obra O Príncipe defende um Estado forte e independente da Igreja, um governo absolutista em favor do qual todos os meios são justificáveis, estando a “razão de Estado” acima de qualquer ideal. Neste obra Maquiavel mostra a postura que deveria ser assumida pelo “príncipe” a fim de restaurar a República italiana aconselhando o soberano florentino a que fique acima das considerações morais, mantendo assim a autonomia política. Para ele, “os fins justificam os meios” e a razão de Estado deve sobrepor-se a tudo, ou seja, o soberano tudo pode fazer quando busca o bem estar do país. Quando está em jogo o interesse do Estado – sentencia Maquiavel – até a “força é justa quando necessária”.
Preocupado com o estabelecimento de um Estado forte, Maquiavel defende que a autoridade do príncipe, embora às vezes brutal e calculista, é vital para o seu sucesso e conseqüentemente para o do Estado. Num posicionamento contrário à concepção tomista, chega a questionar que se um príncipe não pode ser amado e temido é mais seguro que ele seja temido. Esta obra serviu de instrumento teórico a muitos governantes autoritários e totalitários do século XVI ao XX, ou seja, àqueles que fizeram da “razão de Estado” o pretexto para sufocar liberdades individuais de toda a sociedade.
Outras frases de Maquiavel como: “o triunfo do mais forte é o fato essencial da história humana”, “todos os profetas armados venceram, desarmados arruinaram-se”, “desprezar a arte da guerra é o primeiro passo para a ruína, possuí-la perfeitamente, eis o meio de elevar-se ao poder”, também serviram a ditadores. Além de O príncipe, Maquiavel também escreveu a História de Florença, Discurso sobre a primeira década de Tito Lívio e a peça Mandrágora, considerada a mais perfeita obra teatral escrita em língua italiana.
- Thomas Morus (1478 a 1535)
Critica as condições socioeconômicas da Europa, principalmente os costumes, as leis e as guerras. Segundo ele, uma comunidade ideal no que diz respeito a costumes, leis, educação, economia, governo e religião devem imperar a harmonia com liberdade de pensamento e tolerância, sob o “manto” da ordem social e da justiça. Ou seja, imaginou uma sociedade vivendo em harmonia, livre dos males da guerra e da intolerância religiosa.
- Martinho Lutero (1483 a1546)
Como professor de teologia na Universidade de Wittenberg, iniciou suas pregações defendendo a doutrina da salvação pela fé. Revoltado com os jejuns apregoados pela Igreja e com a venda de indulgências além de outras práticas religiosas então em uso, fixou na porta de sua igreja as 95 teses onde criticava o sistema clerical dominante e apresentava sua nova doutrina. Foi intimado pelo papa Leão X a se retratar sob pena de ser considerado herege, mas como resposta queimou a bula papal em praça pública, sendo excomungado além de ter que se submeter a um tribunal secular. Negando-se a se retratar foi considerado herege, porém devido à sua popularidade e ao apoio da nobreza, não foi punido. Refugiando-se sob proteção do príncipe da Saxônia, Lutero traduziu a Bíblia latina para o alemão, tornando-a o primeiro documento escrito em língua alemã moderna.
As idéias luteranas influenciaram a revolta camponesa que tentaram confiscar terras senhoriais e da Igreja, o que foi violentamente condenado por Lutero movendo contra eles uma guerra sem trégua. Isso demonstra o seu comprometimento com a nobreza alemã. Enfim, devido à expansão das idéias reformistas, a doutrina luterana foi tolerada pela Igreja Católica nas regiões convertidas, mantendo, porém, a proibição no restante do país. Os luteranos protestaram contra essas medidas, sendo chamados a partir de então de protestantes.
- João Calvino – (1509-1564)
Chega à Suíça pedindo proteção aos protestantes perseguidos na França. Rapidamente conquista Genebra com suas pregações e adquire total controle da vida religiosa, política e moral dos cidadãos da cidade com a instalação de uma rígida censura que transforma a transforma numa espécie de Roma, ou seja, fundindo o político e o religioso. Sua doutrina alicerçava espiritualmente o capitalismo para uma vocação particular cujo objetivo é a glorificação dele mesmo. Acreditando que a miséria era a fonte de todos os pecados incentivava o lucro e o trabalho. Assim, o comerciante que busca o lucro através das qualidades que o sucesso econômico exige: o trabalho, a sobriedade e a ordem, responde também o chamado de Deus, santificando de seu lado o mundo pelo esforço o que torna sua ação santa. A doutrina calvinista admitia o mundo dependente da vontade absoluta de Deus. Como os homens são pecadores por natureza, somente alguns estariam predestinados à salvação eterna.
- Francis Bacon (1561 a 1636) – empirismo
Partiu do estado em que se encontrava a ciência para estudar uma nova lógica: descrever a investigação dos fatos e, então, passar à pesquisa das leis, voltando às ações que estes conhecimentos permitem exercer sobre a natureza. Neste sentido, sua ciência positiva deve ser uma ciência do concreto, sendo necessário estudar o real, isto é, os fatos observáveis e os fenômenos experimentais, o que permite realizar aplicações frutuosas. Através dela o homem domina a natureza e adquire poder sobre ela, satisfazendo suas necessidades e anseios. Assim, tudo aquilo que o homem necessita será inventado e fabricado com a divisão do trabalho e, conseqüentemente, a satisfação plena das necessidades e a justiça social se estabelecerão naturalmente. No entanto, a melhor maneira de dominar a natureza consiste em observá-la e interrogá-la, pois é preciso que haja obediência uma vez que não se vence a natureza a não ser ajustando-se a ela.
Quanto ao objetivo ético, a moral indica em primeiro lugar o bem supremo, objetivo da vida. Depois, os meios de atingi-los, isto é, a submissão das paixões e da vontade à razão. O bem, fim da vida é duplo: a felicidade individual é a felicidade de todos. É necessário tomar como finalidade da vida moral o bem da humanidade. Portanto, é a utilidade social que regula a vida moral. É bom o que é útil à humanidade.
- Thomas Hobbes (1588 a 1679) – empirismo
Segundo ele, todo conhecimento começa pela sensação. O movimento produzido pelos corpos é transmitido pelos nervos até o cérebro e transformado em qualidades sensíveis. As coisas que existem fora do corpo como som, cor e outras, são conservadas no cérebro como rastros enfraquecidos, mas, quando produzido pela imaginação e pela memória formam o discurso mental, que bem aperfeiçoado, caracterizam a razão.
O objetivo da moral é disciplinar o egoísmo, força motriz do homem que os levam a ser inimigos uns dos outros, ou seja, o homem era como um lobo para o homem. Neste sentido, segundo ele, tal tarefa só é possível através de um Estado despótico, o que é visível em seu livro Leviatã (nome do monstro fenício), que mostra o que para ele seria esse Estado: uma grande entidade todo-poderosa que dominaria todos os cidadãos.
Hobbes justifica o Estado absoluto apontando-o como a superação do “estado de natureza”. Para ele, na sociedade primitiva ninguém estava sujeito a leis, tendo tão somente de satisfazer sua avidez intrínseca pelo poder e pelo interesse próprio. Numa fase posterior, os homens dotados de razão, de sentimento de autoconservação e de defesa buscam superar esse estado natural de destruição, unindo-se para formar uma sociedade civil mediante um contrato segundo o qual cada um cede seus direitos ao soberano. Dessa forma, renuncia-se a todo direito de liberdade, nocivo à paz, em benefício do Estado. Hobbes concluiu que a autoridade do Estado deve ser absoluta a fim de proteger os cidadãos contra a violência e o caos da sociedade primitiva. Por isso, “é lícito ao rei governar despoticamente, já que o próprio povo lhe deu o poder absoluto”.
- Descartes (1596 a 1650) - racionalismo
Embora com caracterização em bases matemáticas, ele contribuiu com a ciência humana, ressaltando que um mesmo homem criado entre franceses ou alemães, tornar-se-á diferente do que se tivesse vivido entre chineses ou canibais.
Segundo este pensador a Filosofia estava desacreditada, pois era incapaz de levar à certeza e só oferecia dúvida. O caminho para salvá-la seria através da Matemática, uma vez que nesta ciência se encontra a verdade. Dessa forma, era preciso encontrar na Filosofia princípios absolutamente certos como se encontrou na Matemática e ele descobre através da dúvida metódica, ou seja, enquanto não se encontrar algo não duvidoso, certo, estável, seguro, nada pode se afirmar. E Descartes o encontra na própria dúvida: não posso duvidar que duvido. É certo que duvido. E se duvido, penso. Se penso, existo. Daí seu famosíssimo lema: “Penso, logo existo”. E ele não foge da pergunta: por que não posso duvidar de que duvido? Porque é um princípio claro e distinto.
Este pensador representa não apenas um marco no início da história do pensamento moderno, mas também uma base de desenvolvimento que se faz sentir até o presente.
- John Locke (1632 a 1704) – liberalismo político
É preciso que os homens examinem cuidadosamente a capacidade do entendimento e tenham a consciência dos limites da inteligência, que são determinados pela experiência, pois antes desta, o intelecto nada tem registrado. Ou seja, todo conhecimento humano é adquirido através dos sentidos (empirismo), e, depois, desenvolvido pelo esforço da razão.
Quanto ao objetivo ético o homem tende ao prazer e se afasta da dor. Por isso o objetivo da moral é o bem-estar.
FILOSOFIA DA ILUSTRAÇAO OU DO ILUMINISMO - (meados do séc. XVIII ao começo do séc. XIX)
O Iluminismo afirma que o homem pode conquistar a liberdade e a felicidade social e política através da razão. Da mesma forma, através da razão também é possível a evolução e o progresso, pois o ser humano é perceptível, o que o libera dos preconceitos religiosos, sociais e morais, da superstição e do medo, graças ao conhecimento, às ciências, às artes e à moral.
O aperfeiçoamento da razão se realiza pelo progresso das civilizações que vão das mais atrasadas às mais adiantadas e perfeitas. Portanto, há um grande interesse pelas ciências que se relacionam com a idéia de evolução e em relação às artes na medida em que elas são expressões por excelência do grau de progresso de uma civilização. Há também um grande interesse pela compreensão das bases econômicas da vida social e política, surgindo uma reflexão sobre a origem e a forma das riquezas das nações.
- Montesquieu (1689 a 1755)
O melhor governo é aquele que melhor garante a liberdade individual. Para isso é preciso que ele tenha os três poderes independentes: executivo, legislativo e judiciário. Assim, é mais fácil evitar abusos dos governantes e de proteger as liberdades individuais. As leis são necessárias e devem derivar da natureza das coisas e levar em conta sua relação com o meio físico, com a natureza humana e com as circunstâncias históricas. Elas não devem estabelecer princípios absolutos. O Estado é o sujeito, portanto, impõe normas e deve fazer cumpri-las se não quer vê-las degeneradas.
- Voltaire (1694-1778) – liberdade de pensamento
Destacou-se pelas críticas que fez ao clero católico, à intolerância religiosa e à prepotência dos poderosos. Era defensor de uma monarquia governada por um soberano esclarecido e respeitador das liberdades individuais. Tornou-se marcante a defesa que faz sobre a liberdade de pensamento através de sua célebre frase: “posso não concordar com nenhuma das palavras que você diz, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”.
- Rousseau (1712 a 1778) - naturalismo
Os homens nascem livres e por natureza são todos bons e iguais. Entretanto, com a propriedade privada surge a desigualdade social. Neste sentido, o papel do governo é defender o homem para que volte ao estado de natureza, desde que constituído pelo contrato social que é a única forma de associação legítima onde o soberano deveria conduzir o Estado segundo a vontade geral de seu povo. Ou seja, somente um Estado com base democrática teria condições de oferecer a todos os cidadãos um regime de igualdade jurídica. Assim, os homens continuarão livres, obedecendo a si próprios, representados pela vontade geral, que é a vontade do Estado. Aí, a vontade do todo é, ao mesmo tempo, a vontade de cada cidadão.
Na verdade, o Estado é depositário da soberania, a fonte e o agente do poder que é constituído por meio de um contrato voluntário. Uma verdadeira comunidade social, onde o indivíduo liberta-se de sua alienação, limitando seu egoísmo a uma medida natural e subordinando-se ao bem comum. O governante é um simples mandatário do povo, é provisório, substituível a qualquer momento, necessitando constantemente do acordo de todos.
- Adam Smith (1723 a 1790) - economista
Segundo ele, a riqueza das nações é criada pelo trabalho do homem e não pela terra. Ele enfatizou a divisão o trabalho considerando produtiva não apenas a classe agrícola, mas todas as classes trabalhadoras e que esse trabalho deveria ser conduzido pela livre iniciativa dos particulares. Assim, o Estado não deveria interferir na vida econômica. Para Smith a economia foi tomada não apenas como o estudo da sociedade, mas também como instrumento de reforma social.
- Immanuel Kant (1724 a 1804) - criticismo
Dotado de uma mente penetrante e inquieta, preocupa-se com o problema da ciência, isto é, do conhecimento, o que o torna um dos filósofos fundamentais da filosofia moderna.
Para ele a vida social do homem depende de dois caminhos: a natureza e a moral. A combinação desses dois caminhos leva os homens a um Estado constitucional, pois vivendo em sociedade estes homens precisam de um senhor e almejam uma lei que limita a liberdade de todos, menos a de si próprio. Neste sentido, faz-se necessário a presença do Estado impondo a paz e coibindo as paixões, o que é atingido através da existência do direito, cujo objetivo é proporcionar o livre arbítrio entre os homens e, ao mesmo tempo, proporcionar condições ao Estado para que ele dê proteção legal à propriedade, aos contratos e à segurança do indivíduo. O Estado nasce do contrato político que prevê a renúncia à agressão e à defesa pessoal em troca da proteção da lei.
- Saint-Simon (1760 a 1825) - industrialismo
Segundo ele, a forma econômica de uma sociedade evolui de um estado feudal para liberal e, finalmente, socialista, pois toda a comunidade do futuro é industria e moldada pela técnica e pela ciência. O Estado adotará um regime industrial que eliminará os preguiçosos.
Excluindo privilégios e suprimindo a propriedade particular, o princípio de justiça será regido pela capacidade individual e em conformidade com as próprias obras. Contrariamente ao egoísmo, o altruísmo universal é preceito básico da estrutura social promovendo a felicidade de toda a sociedade.
- Thomas Malthus (1766 a 1834) - economista
Apresentou a teoria em que a população tende a crescer mais depressa do que os meios de subsistência.
- Friedrich Hegel (1770 a 1831) – idealismo
Doutor em filosofia, afirma que a idéia é o absoluto, o universal e o pensamento, ou seja. abrange tudo. Segundo ele, existe oposição em toda parte: no pensamento e no ser. Tudo o que existe é, então, suscetível de duas afirmações opostas igualmente verdadeiras. Na evolução da idéia, todas a oposições fundem-se e identificam-se numa criação perpétua. O “eu” identifica-se com o “não eu” pela consciência que toma de si mesmo. O “eu” só existe enquanto se opõe a um “não eu”. Assim, esta relação não lhe é exterior, mas interior e constitutiva.
O limite pertence à essência do finito. O que limita o finito é o infinito. O finito identifica-se com infinito que o limita.
FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA (meados do séc. XIX até nossos dias)
Esse período, por ser mais próximo de nós, parece ser o mais complexo e difícil de definir, pois as diferenças entre as várias posições filosóficas nos parecem muito grandes porque as estamos vendo surgir diante de nós. Ou seja, não temos distância suficiente para perceber os traços mais gerais e marcantes deste período da filosofia.
- Auguste Comte (1798 a 1857)
Considerado o pai da Sociologia, Comte renuncia a toda a metafísica (doutrina da essência das coisas: conhecimento das causas primeiras e dos primeiros princípios) e considera que o constante progresso do espírito humano tem seu apogeu no positivismo (sistema filosófico que pretende basear-se somente nos dados da observação e da experiência: tendência para encarar a vida só pelo lado prático ou pelo lado do interesse). Em outras palavras, a única fonte legítima da ciência é a experiência sensível externa.
Neste sentido, a Sociologia é a síntese unificadora, definida como ciência que tem por objetivo a observação dos fatos intelectuais e morais, responsáveis pela constituição e pelo progresso da sociedade humana que conta com três níveis: o indivíduo, a família e as combinações sociais, sendo a mais alta a própria humanidade.
Na história tudo é racionalmente necessário. Prova disso é que a sociedade passa por um incessante aperfeiçoamento que faz emergir e preponderar nossas mais nobres tendências naturais. Assim, com a descoberta das leis da natureza, a finalidade da ciência é submeter totalmente a natureza ao homem o que o fará ter atingido o grande objetivo: “saber para prever e prever para prover”. Desta forma, com o progresso da inteligência, o homem atingirá a suprema norma moral: viver para outrem. Será esse o regime sociológico com a supressão do egoísmo e com o império do altruísmo. Neste processo, o Estado é uma modificação da ordem natural, objeto de tendência de todas as sociedades humanas, uma vez que nenhuma pode existir sem governo, isto é, sem uma autoridade que reprima a dispersão de idéias, sentimentos, interesses, e exerça a coordenação geral. Resumidamente, a história tem como princípio o amor, como base a ordem e como finalidade o progresso.
- John Stuart Mill (1806 a 1870) - economista
Apresentou a mais perfeita exposição da teoria liberal que para ele era sinal de progresso. Segundo ele, deve-se buscar o máximo de satisfação com o mínimo de esforço e a procura do interesse pessoal coincide com o interesse geral. Daí a importância da livre concorrência que garante a eliminação dos incapazes pelos mais aptos. Neste sentido, ampliar a livre concorrência é um bem e limitá-la é um mal. No entanto, para melhorar as condições sociais, seja combatendo a miséria, seja diminuindo as desigualdades sociais, acredita-se numa possível intervenção do Estado que interfira inclusive na propriedade particular que não é um direito natural, mas uma instituição social, pois importa deixar aos homens o direito absoluto de dispor dos próprios bens limitando o direito de recebê-los por herança.
- Spencer (1820 a 1903)
A sociedade é como um organismo, pois seus componentes estratificam-se em funções cooperativas e complementares. O melhor governo é o sistema liberal em que cada indivíduo pode desenvolver-se plenamente e unir-se livremente a seus semelhantes para atingir o progresso econômico, moral, religioso e outros.O Estado deve ser uma companhia de fundos comuns para proteção dos indivíduos, restringindo cada vez mais a proteger os direitos individuais e coibir com sanções as injustiças e as desordens.
- Karl Marx (1818 a 1883)
Para Marx, a única realidade é a matéria e suas forças, cuja evolução contínua e progressiva gera, finalmente, as sociedades humanas, ou seja, o desenvolvimento das sociedades possui base econômica. Em outras palavras, as relações de produção formam a estrutura social. As formas de produção determinam as formas de consciência. Assim, o fator econômico é fator determinante fundamental da estrutura e do desenvolvimento da sociedade, isto é, da organização política, da religião, da lei, da filosofia, da arte, da literatura e a da própria moralidade.
Segundo ele, em toda sociedade há duas classes básicas: a capitalista e a proletária. Enquanto uma representa o sistema obsoleto de produção, a outra promove um sistema emergente por meio da luta entre classes. Este processo inicia quando os grandes capitalistas (burgueses) eliminarão os concorrentes mais fracos, tendendo-se ao monopólio ou ao oligopólio, além de se imporem ao proletariado (classe operária), fazendo com que se sintam aniquilados. Na continuidade, os pequenos burgueses (capitalistas modestos, classe média) engrossarão a classe operária, que se sentindo explorada pelos capitalistas deverá tomar consciência da situação, de seus direitos e de sua força para empreender uma luta que visa libertar-se da exploração e da opressão. Devolvendo a consciência de classe, inevitavelmente, burguesia e proletariado caminharão para a luta, cuja classe emergente será finalmente vitoriosa. Estabelece assim a nova ordem de produção com o socialismo que será suplantado pelo comunismo (sociedade sem classes e sem Estado).
- Georg Simmel (1858 a 1918)
A Sociologia deve ser uma ciência independente, por isso é necessário ter um objeto bem definido e contar com métodos científicos. O núcleo do conceito de Sociologia é a forma da sociedade, isto é, o elemento da vida social, relativamente estável, padronizado. A Sociologia estuda o resultado de conteúdos psicológicos específicos dos indivíduos envolvidos em situações sociais. Compete à ela descobrir leis sociais, isto é, regularidades relativas às formas de organização social, pois a sociedade compreende os indivíduos em suas múltiplas relações recíprocas.
- Emile Durkheim (1858 a 1917)
Segundo ele, o princípio fundamental é: o social explica-se pelo social, ou seja, de forma alguma o social pode ser explicado com base em procedimentos individuais. Neste sentido, ele explica a sociedade através dos fatos sociais que é toda maneira de agir, fixa ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou então, que é geral na extensão de uma sociedade dada, apresentando uma existência própria, independente das manifestações individuais que possa ter.
Em outras palavras, o grupo pensa, sente e age de modo absolutamente diferente dos indivíduos que o compõem. A consciência coletiva é a soma de crenças e sentimentos comuns à media dos membros da sociedade, formando um sistema próprio. Ela possui uma realidade distinta, pois persiste no tempo e serve assim para unir gerações.
- Weber (1864 a 1920)
Para ele o elemento fundamental da investigação sociológica é a ação social, ou seja, a sociedade é explicada através da ação social praticada por seus membros. Neste sentido, investigar as ações sociais é função da Sociologia, pois esta é uma ciência voltada para a compreensão e para a interpretação da sociedade.
Weber coloca ainda que o Estado é uma estrutura política que pretende, com êxito, o uso legítimo da força física, ou seja, é uma relação de homens dominando homens, por meio da violência considerada legítima.


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