Data: 26/11/2007 12:34:23
De: fernanda
IP: 189.25.75.98
Assunto: Re: Influência da cultura africana na formação da cultura brasileira
De: fernanda
IP: 189.25.75.98
Assunto: Re: Influência da cultura africana na formação da cultura brasileira
|
A Influência da Cultura Africana na Cultura Brasileira A presença do negro africano na cultura brasileira, desde o século XVI, merece referência especial no interior dos estudos que tratam da questão da constituição de uma identidade lingüística brasileira. Não raro, temos observado que pesquisadores continuam apontando a escassez e, às vezes, a superficialidade de estudos que destacam a contribuição do africano para a língua do Brasil. Além do mais, mencionam que os estudos se restringem a revelar apenas a influência do negro africano e não o papel do negro na cultura e na língua em uso no Brasil. Embora saibamos da imensa população africana, advinda para cá das diferentes regiões da África, é preciso esclarecer que os estudos salientam somente duas línguas africanas predominantes entre os negros no Brasil, que são a língua nagô ou ioruba, originária da região ocidental da África e a quimbundo proveniente de outras regiões.No Brasil, a população de negros africanos chegou a ultrapassar a casa de sete milhões de indivíduos à época da abolição, segundo alguns autores.. Não há como negar a influência africana no português brasileiro, principalmente, se levarmos em consideração que a presença de negros africanos em território nacional proporcionou um contato direto com os homens brancos e índios que aqui habitavam, refletindo diretamente sobre o comportamento social e a cultura, em geral. É preciso considerar que os negros trazidos para cá, cada um com sua língua materna, sejam eles sudaneses, bantos, e, principalmente aqueles advindos de Moçambique e Angola conviveram diretamente com o branco e com o índio. Tal situação de convivência levou a freqüentes imitações e interpenetrações que podemos constatar lingüisticamente por meio de deturpação, desfiguração ou até mesmo alteração de fonemas, modificando-lhe articulações, simplificando a morfologia, reduzindo ou aumentando as flexões dos vocábulos. Foram as amas-de-leite ou as mães-pretas que, no contato com o recém nascido e com as crianças, ensinaram-lhes as primeiras palavras, fixaram-lhes as primeiras expressões lingüísticas e contaminam-nos com os valores de sua cultura. Da mesma forma, os negros e, particularmente as crianças negras, embora vivendo nas senzalas, trocaram experiências lingüísticas com as crianças brancas. Acrescente-se a isso o processo de miscigenação racial que conferiu ao negro importância social na formação histórica do Brasil. Como podemos observar, a interação social entre brancos, índios e negros caminhou simultaneamente com a interação lingüística e impulsionou, de modo particular, transformações profundas não somente, mas também na língua portuguesa transplantada para Brasil, desde o primeiro século em que europeus chegam em terra brasileira. Por mais que se secundarize, não há como omitir a contribuição do negro africano para a cultura brasileira em seus diversos aspectos, entre eles, na língua, religião, música, arte, alimentação. Esperamos que, nesse momento histórico, de resgate da identidade do homem negro e dos menos favorecidos socialmente, resplandeça, no meio acadêmico, um espírito científico de isenção de atitudes que possam atenuar ou subtrair o mérito do negro na cultura brasileira. |



