Data: 20/09/2003 19:20:13
De: Anderson
IP: 200.158.255.237-200.158.255.237
Assunto: Re: ARGENTINA
De: Anderson
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Assunto: Re: ARGENTINA
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DADOS GERAIS:
REPÚBLICA ARGENTINA. CAPITAL - Buenos Aires. NACIONALIDADE - argentina. DATA NACIONAL - 25 de maio (aniversário da Revolução); 9 de julho (Independência). GEOGRAFIA - Localização: sul da América do Sul. Hora local: a mesma. Área: 2.780.092 km2. Clima: de montanha (NO, SO, O), árido tropical (NE), árido frio (SE), temperado continental (S), tropical (N), subpolar (extremo sul). Área de floresta: 339 mil km2 (1995). Cidades principais: Buenos Aires (aglomerado urbano: 11.931.000 em 1996; cidade: 2.988.000, em 1995); Córdoba (1.148.305), Rosario (894.645) (1991). POPULAÇÃO - 37 milhões (2000); composição: europeus meridionais 85%, eurameríndios 7%, ameríndios 0,4% e outros 7,6% (1996). Idioma: espanhol (oficial). Religião: cristianismo 90,9% (maioria católica), outras 9,1% (1995). Densidade: 13,31 hab./km2. População urbana: 89% (1998). Crescimento demográfico: 1,3% ao ano (1995-2000). Fecundidade: 2,62 filhos por mulher (1995-2000). Expectativa de vida M/F: 70/77 anos (1995-2000). Mortalidade infantil: 22‰ (1995-2000). Analfabetismo: 3,1% (2000). IDH (0-1): 0,837 (1998). GOVERNO - República presidencialista. Divisão administrativa: 22 províncias subdivididas em municipalidades, Distrito Federal de Buenos Aires e Território Nacional da Terra do Fogo. Chefe de Estado e de governo: presidente Fernando de la Rúa (desde 1999). Principais partidos: Justicialista (PJ, também conhecido como Peronista), União Cívica Radical (UCR), Frente do País Solidário (Frepaso). Legislativo: bicameral - Senado, com 63 membros; Câmara dos Deputados, com 257 membros. Senadores e deputados são eleitos por voto direto para mandatos de 6 e 4 anos, respectivamente. Constituição em vigor: 1994. ECONOMIA - Moeda: peso argentino; cotação para US$ 1: 1 (jul./2000). PIB: US$ 298,1 bilhões (1998). PIB agropecuária: 6%; PIB indústria: 29%; PIB serviços: 65% (1998). Crescimento do PIB: 5,6% ao ano (1990-1998). Renda per capita: US$ 8.030 (1998). Força de trabalho: 14 milhões (1998). Agricultura: trigo, milho, soja, sorgo. Pecuária: bovinos, ovinos, caprinos, aves. Pesca: 1,3 milhão de t (1997). Mineração: petróleo, gás natural, carvão. Indústria: alimentícia, bebidas, química, equipamentos de transporte, refino de petróleo. Exportações: US$ 25,2 bilhões (1998). Importações: US$ 31,4 bilhões (1998). Parceiros comerciais: Brasil, EUA, Itália, Chile, Alemanha. DEFESA - Efetivo total: 73 mil (1998). Gastos: US$ 5,1 bilhões (1998). RELAÇÕES EXTERIORES - Organizações: Banco Mundial, FMI, Grupo do Rio, Mercosul, OEA, OMC, ONU. Embaixada: Tel. (061) 365-3000, fax (061) 365-2109, e-mail: embarg@tba.com.br - Brasília, DF. O PAÍS - A Argentina possui a mais elevada renda per capita e um dos melhores índices de desenvolvimento humano (IDH) da América do Sul . Mas enfrenta sérios problemas, como o desemprego, cuja taxa dobrou na última década. No oeste de seu território, o segundo maior do continente, está a cordilheira dos Andes, onde se localiza o ponto mais alto das Américas, o pico Aconcágua. No norte, encontram-se as férteis e quentes planícies do Chaco e da Mesopotâmia (área entre os rios Uruguai e Paraná). No centro, predominam os pampas, pólo agropecuário. No sul, a Patagônia, região árida e fria, abriga uma variada fauna marinha, que inclui pingüins, leões-marinhos e baleias. Cerca de um terço dos argentinos vive na capital e na província de Buenos Aires. A maioria é de origem européia, sobretudo espanhola, italiana, alemã e eslava. No norte do país, quase 50% da população é formada por mestiços de índios e europeus. Essa diferença étnica se reflete na cultura: enquanto o tango é o ritmo de Buenos Aires, no interior destacam-se vários tipos de música folclórica, de influência indígena. Grande produtora de carne e cereais e rica em minérios, a Argentina é a principal parceira do Brasil no Mercosul. HISTÓRIA - A região é habitada por indígenas querandis (no leste), charruas (nos pampas), quíchuas (nos Andes) e guaranis (no nordeste) quando os conquistadores espanhóis, liderados por Juan Díaz de Solís, aportam no rio da Prata, em 1516. No território, ainda pertencente ao Vice-Reinado do Peru no século XVII, as missões jesuíticas estimulam a produção de erva-mate, tabaco, algodão e a criação de gado. O intenso comércio transforma o porto de Buenos Aires, fundado em 1580, em capital do Vice-Reinado do Prata em 1776. Independência - A derrota dos ingleses na tentativa de ocupar a capital, em 1806 e 1807, inspira a revolução que derruba o vice-rei espanhol (1810) e leva à independência, proclamada em Tucumán em 1816. Entre 1817 e 1819, o general José de San Martín, líder da campanha pela independência, cruza os Andes com seu Exército para libertar o Chile e o Peru. A nova Constituição provoca luta entre os defensores da União e os federalistas, que querem maior autonomia para as províncias. Entre 1825 e 1828, numa guerra contra o Brasil, o país perde a Banda Oriental, que se torna o Estado soberano do Uruguai. Em 1829, o general Juan Manuel Rosas, nomeado governador de Buenos Aires, transforma-se em ditador, sendo derrubado pelo general Urquiza em 1852. Uma nova Constituição, de cunho federalista, é outorgada em 1853. A província de Buenos Aires declara-se em secessão, mas é reconduzida à federação em 1859, sob força militar. No governo do general Mitre, a Argentina alia-se ao Brasil e ao Uruguai e vence o Paraguai na disputa pela região do rio da Prata. O primeiro partido político de classe média das Américas, a União Cívica Radical (UCR), é fundado em 1891 e conduz Hipólito Yrigoyen à Presidência em 1916. Seguem-se governos da UCR, que enfatizam reformas sociais, interrompidos em 1930 por um golpe militar liderado pelo general José Uriburu. Peronismo - O regime civil é restaurado em 1932, com predomínio dos conservadores. Em 1943, um novo golpe militar abre espaço para a ascensão de Juan Domingo Perón, secretário do Trabalho, que se fortalece ao favorecer a sindicalização e promover reformas trabalhistas. A influência de Perón entre os trabalhadores leva os militares a afastá-lo da secretaria em 1945, mas manifestações populares forçam o Exército a chamá-lo de volta. Eleito presidente em 1946, Perón casa-se com Eva Duarte, figura central da propaganda de seu governo populista. O Partido Peronista é fundado em 1948 e Perón, reeleito em 1951. A morte de Evita, em 1952, enfraquece o governo, que entra em atrito com vários setores da sociedade, entre eles a Igreja Católica. Deposto em 1955 em um golpe militar, Perón exila-se na Espanha, enquanto o governo provisório, chefiado pelo general Pedro Aramburú, desencadeia forte repressão aos peronistas. Mesmo na ilegalidade, o peronismo ajuda Arturo Frondizi, da ala esquerda da UCR, a eleger-se presidente em 1958. Quatro anos depois, Frondizi é deposto pelos militares. Arturo Illia (UCR), eleito em 1963, cai em 1966 em um golpe liderado pelo general Juan Carlos Onganía. Retorno de Perón - Manifestações populares e o surgimento de grupos guerrilheiros levam os militares a afastar Onganía em 1970. Seu sucessor, Roberto Levingston, é substituído em 1971 pelo general Alejandro Lanusse, que inicia negociações para a volta de Perón. O peronista Héctor Cámpora, eleito presidente em março de 1973 e empossado em maio, renuncia dois meses depois para permitir a candidatura do ex-presidente. O Partido Justicialista (PJ) elege Perón em setembro e se divide, em meio à crise, entre montoneros (esquerda) e anticomunistas. Perón morre em 1974. Isabelita, sua mulher e vice-presidente, assume o governo e favorece setores direitistas, enquanto as ações terroristas se intensificam. Regime militar - Isabelita é deposta em um golpe militar em 1976. Uma junta chefiada pelo general Jorge Rafael Videla assume o poder, dissolve o Congresso e os partidos e dá início à "guerra suja" - repressão sistemática aos oposicionistas que faz mais de 10 mil desaparecidos. A política econômica ultraliberal adotada pelo governo desmantela o parque industrial argentino. O general Roberto Viola substitui Videla em 1981. Promete dialogar com a oposição, mas é deposto num golpe pelo general Leopoldo Galtieri. Na tentativa de recuperar apoio popular, os militares ordenam, em 1982, a invasão das Malvinas, território britânico reivindicado pela Argentina. Com a derrota imposta pelos britânicos, Galtieri renuncia. Seu substituto, o general Reynaldo Bignone, negocia o retorno dos civis ao poder. Redemocratização - Raúl Alfonsín, da UCR, eleito em 1983, ordena a prisão dos comandantes das juntas militares em 1984. Uma comissão liderada pelo escritor Ernesto Sábato constata a existência de campos de prisioneiros, nos quais pelo menos 8.961 pessoas foram mortas de 1976 a 1982. Em 1985 e 1986, cinco membros das juntas e os chefes da campanha das Malvinas são condenados a penas que vão de quatro anos à prisão perpétua. A hiperinflação provoca saques e quebra-quebras. Em 1987 e 1988, revoltas de militares da ativa (os caras-pintadas) contra o julgamento de oficiais levam Alfonsín a enviar ao Congresso a Lei da Obediência Devida, que anistia oficiais subalternos, e a Lei do Ponto Final, que limita o número de processos - ambas revogadas em 1998. Em 1989, um frustrado assalto de radicais esquerdistas ao quartel de La Tablada enfraquece o governo civil. Governo Menem - O peronista Carlos Menem vence as eleições presidenciais de 1989 e, em meio à grave crise econômica, toma posse seis meses antes do fim do mandato de Alfonsín, adotando medidas duras de combate à inflação. Em 1990 sufoca outro levante cara-pintada, indulta os militares da "guerra suja" e ganha confiança do Alto Comando. Vence a inflação em 1991 com um plano baseado na paridade entre os valores do peso e do dólar, de autoria do ministro Domingo Cavallo. Em 1992 renegocia a dívida externa, privatiza o sistema energético e a empresa estatal de petróleo. Em 1994 muda a Constituição para concorrer ao segundo mandato. No mesmo ano, um atentado até hoje não esclarecido contra a sede da Associação Mutual Israelita (Amia) deixa 96 mortos e 156 feridos. Menem reelege-se em 1995, apesar da taxa recorde de desemprego (18,4%). Os peronistas perdem a maioria absoluta no Congresso nas eleições legislativas de 1997, vencidas pela Aliança - coalizão oposicionista que reúne a UCR e a Frente do País Solidário (Frepaso). No ano seguinte, investigações sobre o desaparecimento de filhos de presos políticos levam à prisão de ex-chefes militares, acusados de apropriação de crianças nascidas em campos de detenção durante a "guerra suja". A Justiça da Espanha pede, em 1999, a extradição de 98 militares argentinos, acusados pelo desaparecimento de cerca de 600 cidadãos espanhóis durante a "guerra suja". Em janeiro de 2000, a Argentina não aceita o pedido. Em julho, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos rejeita processo contra a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, responsabilizada pelo afundamento do cruzador Almirante Belgrano, na Guerra das Malvinas, com 322 marinheiros argentinos. Crise no Mercosul - O impacto sofrido pela economia argentina nos últimos anos agrava-se em janeiro de 1999, com a desvalorização do real - a moeda do Brasil, o maior parceiro econômico do país. O desemprego volta a subir, após um período de queda, acentuando as desigualdades sociais. Pressionado, Menem adota barreiras contra importações, abalando o Mercosul. Em setembro de 1999, o Brasil ameaça retirar o tratamento preferencial dado à importação de cerca de 400 itens argentinos. Um acordo firmado em junho de 2000 estabelece novas alíquotas para o comércio de diversos produtos entre os dois países. Campanha eleitoral - O Congresso e a Suprema Corte consideram inconstitucional a candidatura de Menem a um terceiro mandato consecutivo. Em março de 1999, ele desiste de recandidatar-se. O governista PJ escolhe como candidato para as eleições presidenciais o governador da província de Buenos Aires, Eduardo Duhalde. Seu adversário é o prefeito de Buenos Aires, Fernando de la Rúa (UCR), da oposicionista Aliança. Nas eleições gerais de outubro de 1999, De la Rúa vence Duhalde no primeiro turno, com 48,5% contra 38,05% dos votos. O pleito elege também 130 dos 257 ocupantes da Câmara de Deputados e os governadores de seis províncias. Com o resultado, a Aliança fica com 127 cadeiras na Câmara - a apenas duas da maioria - e o PJ com 101. O PJ conquista o governo da província de Buenos Aires, a mais importante do país, ao eleger Carlos Ruckauf. Os peronistas vencem também nas províncias de Jujuy e La Pampa, enquanto a Aliança chega ao governo em Chubut, Entre Ríos e Mendoza. Novo governo - Logo após tomar posse, em 10 de dezembro de 1999, o presidente, Fernando de la Rúa, adota novas medidas de austeridade econômica que afetam os programas de combate ao desemprego, principalmente no interior do país. Em fevereiro e maio de 2000, De la Rúa consegue aprovação, na Câmara e no Senado, de um pacote de reformas que põem fim a benefícios trabalhistas - sob o pretexto de tornar menos onerosa a geração de empregos. A nova legislação modifica o regime sindical argentino. Como reação, as centrais sindicais convocam greve geral. Protestos violentos ocorrem em diversas cidades do interior. A popularidade de De la Rúa cai, o que não impede a vitória, em maio, do candidato da Aliança, Aníbal Ibarra, na primeira eleição direta da história para o governo do Distrito Federal de Buenos Aires. Escândalo - A reforma na legislação trabalhista é o centro de uma crise política com denúncias de suborno para que fosse aprovada no Senado. Numa decisão inédita, a Justiça pede, em setembro, a suspensão da imunidade parlamentar de 11 senadores e a quebra do sigilo bancário de praticamente todos eles (67). Altos funcionários do governo, suspeitos de terem pago a propina, são chamados a depor. Em outubro ainda não há provas conclusivas da ocorrência do suborno. O vice-presidente Carlos Alvarez renuncia em 6 de outubro, abalando a coalizão governista. O motivo é a não demissão do chefe do serviço de inteligência, Fernando de Santibañes, ex-banqueiro e amigo de De la Rúa, principal suspeito do suborno aos senadores. Santibãnes deixa o cargo quinze dias depois. Segundo pesquisas, a classe política argentina alcança o ponto mais baixo de credibilidade perante a opinião pública em vinte anos. Renúncia & calote - Na última semana antes do natal de 2001, uma dívida externa próxima a 150 bilhões de dólares, recessão de 43 meses, descontrole da economia, desemprego e insatisfações populares, fazem com que o Ministro da Economia Domingo Cavallo e o Presidente Fernando de La Rua renunciem. O substituto tem uma tarefa duríssima: o desmonte do sistema que faz o peso valor um dólar. O governador da Província de San Luís, Adolfo Rodriguez Saá, assume como presidente interino, por escolha do partido peronista, que tem a maioria no Congresso. O presidente interino iria governar por 90 dias e convocar eleições diretas para 03 de março de 2002, para um novo presidente com "mandato-tampão" até Dezembro de 2003 - quando encerraria o mandato de de La Rua. Imediatamente após assumir a presidência, Saá, anunciou o calote da dívida externa (o não pagamento) por tempo indeterminado, determinou feriado bancário até o dia 26.12 inclusive e diversas outras medidas de contenção de despesas, remessa de dólares ao exterior e garantia de empregos à população revoltada. Gigantes multinacionais e bancos somaram enormes prejuízos, como US$ 720 milhões do HSBC, por exemplo. Entretanto até meados de Janeiro de 2002, 4 Presidentes ja haviam assumido o poder em menos de 2 meses e nada estava definido a curto prazo ainda. A população revoltada, num constante quebra-quebra tumultuava ainda mais o problema, em razão do confisco da moeda. |



